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ALQUIMISTA POR ACASO PARTE VIII |
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Todo o conteúdo do livro era baseado num escrito antigo atribuído ao sábio egípcio de nome Hermes Trimegisto, contido em uma simples esmeralda; reconhecida pelo autor, como a síntese de toda a ciência hermética. Abaixo transcrevo o texto da tábua da esmeralda, retirado do livro do senhor Moacir: "É verdade, correto e sem falsidade, que o que está em baixo, é como é em cima, para cumprir-se a Grande Obra. Como todas as coisas derivam-se da Coisa Única, pela vontade e pela palavra daquele Único que as criou, pelo poder de sua vontade, assim também tudo deve a sua existência a esta Unidade, pela ordem Natural, e tudo pode ser aperfeiçoado por adaptação àquela Origem. Seu pai é o Sol; sua mãe a Lua, o Vento a transporta em seu ventre, sua nutriz é a Terra. Este ente é o pai de todas as coisas do Mundo. Seu poder é imenso e perfeito, quando novamente separada da Terra. Separas pois o Fogo da Terra, o sutil do denso, mas com cuidado, com grande habilidade e critério. Ela sobe da Terra ao Céu e novamente desce à Terra, renascendo e assim tomando para si o poder de Cima e o poder de Baixo. Desta forma o esplendor do mundo será todo teu, possuirás todas as glórias do universo e quaisquer trevas afastar-se-ão de ti. Nisso consiste o poder poderoso de todo poder; capaz de vencer todo o sutil e penetrar tudo o que é sólido. Do mesmo modo o universo é criado. De lá vem as realizações maravilhosas, e seu mecanismo é o mesmo. É por isso que sou chamado Hermes Trismegisto, possuindo poder sobre os três aspectos da filosofia universal. O que eu disse da obra-mestra da Arte Alquímica, a Obra Solar, aqui está dito e encerra tudo". Segundo o autor, nestas linhas estão encerrados os mais secretos segredos da alquimia da alma. Engraçado que em muitas partes do texto o autor recorre ao termo “alquimia da alma”, para demonstrar a forma como se opera em nós as leis herméticas. Segundo o senhor Pacheco, a verdadeira alquimia é aquela que consiste em aperfeiçoar a personalidade. Por isso é chamada por esse nome. O livro não nega que houve ao longo do tempo uma série de “alquimistas” que levaram a cabo as experiências visando a elaboração da pedra filosofal e do elixir da longa vida em sua forma vulgar. Segundo os tratados dos alquimistas, através de uma série de processos de cocção, filtragem, volatilização, aliados a outros procedimentos complexos seriam capazes de elaborar tais produtos capazes de transformar metais inferiores em ouro ou adquirirem a vida eterna. Deixando de lado essas facetas atribuídas aos antigos alquimistas, o livro concentra-se na tese de que os mais sábios alquimistas realmente descobriram a pedra filosofal e o elixir da longa vida através da prática da alquimia interior. Através de uma introspecção contínua aos recônditos de suas próprias almas, buscavam aperfeiçoar seu próprio ser atenuando os defeitos e acentuando suas virtudes. Assim aperfeiçoando-se através de um labor contínuo, o alquimista da alma transforma todas as escórias de sua alma (representadas pelos metais inferiores) em ouro (metal considerado perfeito pelos antigos alquimistas). Segundo o autor; os mais sábios e verdadeiros alquimistas não só descobriram e utilizaram estes segredos como também os conservavam velados para serem preservados daqueles que eles consideravam despreparados para concebê-los. Assim; para ser conservado e divulgado utilizaram-se da crendice natural dos povos de seu tempo, preservando através de signos e mitos. Dessa forma os segredos alquímicos atravessaram gerações, oculto pelo mais rigoroso sigilo, sendo divulgados apenas entre os chamados “iniciados”, através de práticas místicas, denominadas Mistérios, sempre representados sob a figura de deuses, monstros ou mitos. Há ainda no livro uma alusão às semelhanças entre as diversas correntes herméticas antigas, tais como a cabala, a magia, a maçonaria. Há uma série de indagações do autor sobre todas essas correntes. Denota-se porém uma profunda inclinação do senhor Pacheco pela Bíblia, considerado por ele o livro máximo da ciência hermética. Segundo suas palavras “tudo” está lá. Utiliza os outros tratados, como a alquimia, no desenvolvimento da espiritualidade, embora os considere perigosos para os iniciantes despreparados. Há citações de trechos de obras dos mais famosos alquimistas de todos os tempos, tais como: Nicholas Flamel, Raimundo Lullo, Geber, Basílio Valentim, Paracelso e tantos outros. A análise do texto da tábua da esmeralda, mencionado logo no início do livro é feita no transcorrer de todo o conteúdo do livro. Por isso; é muito difícil expressar em palavras os ensinamentos lá descritos. Pelo meu entendimento, de acordo com as premissas do livro, a tábua da esmeralda revela simplesmente que existe um mundo espiritual que reflete tudo o que existe no mundo material ou vice-versa já que tudo é uma coisa só. Todas as experieências positivas e negativas têm sua origem nos níveis mais elevados da consciência. Apesar de compreender “em parte” os segredos revelados através da tábua da esmeralda, não ousarei confessá-los aqui em palavras porque tenho plena consciência de que realmente mergulhei em uma ciência incomunicável que só pode ser decifrada mediante um labor contínuo da consciência; ainda assim, de forma parcial, de acordo com o desenvolvimento espiritual de cada iniciado. Descobri que não posso verdadeiramente ensinar a ciência sagrada, porque sempre correria o risco de ver minhas palavras mal interpretadas ou utilizadas de forma negativa. Apenas posso dizer que a tábua da esmeralda ensina a efetivar harmonia entre a matéria e o espírito através da elevação das virtudes e domínio dos vícios. Através da elevação espiritual consegue-se trazer o divino ao mundo através da consciência de que tudo é originário do Único e que devemos transformar nossa vontade na vontade Dele através da manutenção das boas virtudes. Dessa forma, ocorre em nosso íntimo o domínio de nossas paixões inferiores e uma perfeita homogeneização entre os três ingredientes do labor alquímico: o mercúrio, o enxofre e o sal filosóficos. O que dizer desses elementos? Apenas o que aprendi com o livro: o mercúrio é uma água e um espírito que dissolve e sublima o sal; o enxofre é um fogo e uma alma que guia e colore o sal. E o sal é uma terra e um corpo que se congela e se fixa. Aqui estão os três elementos utilizados nos laboratórios da alquimia da alma: espírito alma e corpo. Tudo o que posso dizer a respeito da alquimia da alma está sintetizado aqui. Mais que isso não posso exprimir em palavras. O que posso fazer é o que estou fazendo: Narrar minha experiência para quem sabe, servir de base e estímulo a todos aqueles que desejam mudar o mundo da única forma em que isso é possível no verdadeiro sentido do termo: Mudando a si próprio. No decorrer da leitura do livro, fui me conscientizando de que o tesouro encantado realmente existia. Não da maneira como eu esperava. Entretanto, intimamente reconhecia que o homem não havia mentido. Quis me mostrar através da exposição e estudo dos elementos da natureza a existência dos elementos sutis que regem a vida humana. Fiquei três meses buscando fora um tesouro que estava oculto dentro do meu próprio ser. Ele estava sempre ali, mas eu não o enxergava porque estava buscando apenas as coisas materiais. Estava consciente de que o homem queria me ajudar e não podia negar que realmente tudo aquilo me ajudou. E muito. Nesse período, além de ter me livrado imperceptivelmente do vício do álcool, havia conquistado uma paz interior e um sentimento de alegria íntima há muito perdidos. A natureza mostrou-me um grande tesouro oculto em meu próprio íntimo. Oculto até então porque eu não havia descoberto que tudo o que está fora é apenas um reflexo do que está dentro de mim como me ensinou o livro do senhor Moacir. Tudo isso se confirmou quando fiz a junção do que aprendi na floresta, o rico conteúdo do livro e os textos bíblicos sugeridos ao final do mesmo. Sim; diferente da maioria dos livros que eu já havia lido até então, aquele misterioso escrito não encerrava-se em si mesmo. Trazia ao final uma indicação de textos bíblicos que segundo o autor, seria útil ao estudante para ajudá-lo a purificar o seu espírito. Não fazia parte do contexto do livro e devia ser lido à parte.
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