Espiritualidade nos negócios
Sergio Buaiz
Estranho, não? Quando ouvi este conceito pela primeira vez, confesso que não
soou muito bem. Afinal, o que têm a ver, espiritualidade e negócios? Será uma
espécie de empresa ou produto gospel? Será que eles querem me converter? É
alguma religião?!!!
Não tenho nada contra as religiões ou qualquer corrente filosófica que use esses
termos. Entretanto, aprendi que sobre futebol, política e religião, não se
discute. Ainda mais, misturado com negócios.
A verdade é que todo o estranhamento que se possa ter ao ouvir a palavra
“espiritualidade” vem do costume que temos de associá-la com religiosidade, mas
existe uma grande diferença entre elas. Não precisamos estar restritos a uma
religião para compreender e manifestar a nossa própria espiritualidade.
Valores morais e éticos, solidariedade, atitude positiva e responsabilidade
social são conceitos universais, que não estão limitados a uma religião.
Contudo, têm a ver com esta compreensão espiritual de como podemos contribuir
para cuidar do meio-ambiente e melhorar a nossa vida em sociedade.
O que você planta? O que você constrói? O que podemos fazer juntos? O que
deixaremos como herança para as próximas gerações? Tudo isso tem a ver com a
percepção e o entendimento da nossa capacidade individual e coletiva, para
promover mudanças positivas, significativas e duradouras para a humanidade.
Percebeu a diferença entre espiritualidade e religiosidade?
Sendo assim, gostaria de tranqüilizá-lo de antemão: esse artigo não vai tratar
de religiões, seitas, cultos ou qualquer outra crença, ok? Espiritualidade nos
negócios é um conceito neutro e imparcial, que visa destacar valores e
consciência humanitária.
Pronto! Agora, podemos remover aqueles bloqueios e preconceitos que nos impedem
de assimilar novos conhecimentos. Podemos descartar qualquer conclusão
precipitada e iniciar um diálogo franco, sobre este assunto que está
revolucionando a gestão empresarial em todo o mundo.
Você já deve ter ouvido falar de responsabilidade social das empresas,
iniciativas do Terceiro Setor, ética empresarial e outros conceitos disseminados
em livros e publicações recentes sobre administração, mas talvez nunca tenha
percebido a dimensão espiritual que está por trás de todos esses movimentos.
Quando se fala em espiritualidade nos negócios, não se trata de criar espaços
alternativos para meditação ou promover orações entre os funcionários.
Espiritualidade nos negócios tem a ver com a visão humanitária e responsável que
deve andar junto com as expectativas de lucros dos gestores das empresas. Ou
seja, acontece quando as pessoas que comandam uma determinada organização
compreendem a importância de desenvolverem ações sustentáveis, em consonância
com as aspirações e necessidades das comunidades que a sustentam.
O poder econômico e político das empresas é indiscutível. Por isso, qualquer
mudança significativa na sociedade depende do apoio ou iniciativa direta das
empresas, que devem agir com mais responsabilidade.
Entretanto, nada disso acontece enquanto não há uma compreensão espiritual desse
papel na alta gestão das empresas. Não basta desenvolver projetos motivados por
incentivos fiscais, ou com o objetivo puro e simples de associar sua imagem
corporativa a uma ação politicamente correta. É necessário que haja um real
comprometimento da organização com o todo, partindo da própria relação da
empresa com seus empregados, até os produtos que leva ao consumidor e sua
contribuição com o universo.
A princípio, parece um grande discurso demagógico. Falar em espiritualidade nos
negócios soa utópico demais para a realidade nua e crua dos mercados, porém já
está acontecendo. Algumas das maiores empresas do Brasil e do mundo começaram a
despontar com iniciativas pioneiras, apoiadas por ONG´s internacionais e
preceitos valiosos.
Afinal de contas, o que é lucrar? Será que o termo lucro está ligado somente a
bens materiais?
Para os céticos que permanecem distantes de tudo isso, fica o convite de
participarem da oficina “Lucrar também para o mundo – A Espiritualidade nos
Negócios”, que acontecerá em São Paulo no próximo dia 4 de junho de 2002.
Apoiada pelo Instituto Ethos – Empresas e Responsabilidade Social (www.ethos.org.br),
a oficina está sendo organizada pela WBA – World Business Academy (www.elos-wba.com.br)
e visa promover um diálogo sobre esses assuntos. A idéia é examinar as mudanças
fundamentais que estão ocorrendo nas lideranças e nas práticas de negócios.,
demonstrando a possibilidade de uma intervenção positiva imediata.
Será uma oportunidade de complementar o Spirit in Business 2002 (www.spiritinbusiness.org),
realizado em Nova York entre os dias 21 e 23 de abril, com a coordenação
conjunta de David Cooperrider, Peter Senge e Daniel Goleman. Na ocasião, mais de
500 pessoas entre empresários, consultores, representantes de ONG´s e
professores de todo o mundo se reuniram para dialogar sobre o futuro dos
negócios, partindo das premissas que:
- nosso cotidiano de trabalho não pode mais permanecer separado de nossa vida
interior;
- a ética e a economia da sociedade podem e devem ser integradas;
- o sucesso dos negócios, no presente estágio da humanidade, depende de
desenvolvermos habilidades e adotarmos princípios que contemplem os ambientes
naturais, humanos e espirituais.
Continua parecendo estranho? E se for verdade? Não seria maravilhoso?
Pense nisso. O movimento já está acontecendo pelo mundo afora.
Sergio Buaiz
é publicitário, escritor, consultor e conferencista. Autor do livro "Marketing
de Rede - A Fórmula da Liderança", é membro do Conselho Editorial da Revista
VENCER!, Embaixador da Universidade do Sucesso e Diretor de Projetos da
Comunidade BeFriends. Visite seu site pessoal:
www.buaiz.com
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