O Clube dos Realizadores de Sonhos
Sergio Buaiz
Nos últimos meses, tenho acompanhado a realização de sonhos de muitos amigos
escritores, músicos, poetas, empresários, enfim, tem sido muito gratificante
conviver com pessoas que fazem acontecer. Líderes que não apenas sonham, mas
acreditam na própria capacidade de transformar realidades. São todos igualmente
criativos e determinados. Têm coragem para assumir riscos e enfrentar desafios,
persistindo o tempo necessário para obterem êxito em seus projetos. Mesmo nas
condições mais adversas, são incansáveis. Sabem exatamente aonde querem chegar e
são apaixonados pela causa. Fazem parte de um grupo muito especial, que ouso
chamar de: O Clube dos Realizadores de Sonhos.
Não se trata de um grupo fechado. Muito pelo contrário. Cada integrante é
naturalmente um propagador da arte de sonhar, inspirando outras pessoas a
acreditarem que é possível. Entretanto, parece que a maioria dos humanos
sentem-se incapazes de resgatar suas crenças infantis de que é digno ser feliz e
produtivo, fazendo aquilo que gosta.
Os Realizadores de Sonhos jamais se entregam. Qualquer derrota é assimilada como
experiência e nada é capaz de pará-los. Ainda cedo, aprendem que a dor faz parte
do crescimento, e que estão em constante evolução. Tombos, desvios e adiamentos
são aceitáveis, desde que o horizonte permaneça o mesmo, reluzindo a cada manhã.
É o estilo de vida que compartilhamos,
embora cada um seja livre para decidir aonde quer chegar.
Por incrível que pareça, a única frustração que insiste em permanecer em nossos
corações é a de não sermos capazes de incluir todos que amamos neste clube.
Familiares, amigos e colegas de trabalho raras vezes vêm com a gente. Aliás,
costumam ser eles que testam nossas crenças, quando a certeza ainda vem da
intuição. Depois, quando fincamos as primeiras bandeiras no caminho e enxergamos
a praia, são capazes de admirar os feitos, mas dificilmente compreendem ou
compartilham a nossa fé.
Não importa. Nos reconhecemos e formamos um clube diferente, que não cobra
mensalidades e não realiza assembléias para definir as responsabilidades de cada
um. Pelo contrário, cada integrante doa mais de si do que espera dos colegas.
Fazemos isso espontaneamente e de bom grado, pois entendemos o milagre da
multiplicação dos pães.
Neste clube não existe inveja, pois todos são alunos e torcedores do sucesso
alheio. Cultuamos o merecimento. É o que nos inspira a fazer mais e melhor todos
os dias.
É divertido fazer o impossível
Um desses amigos e companheiros de jornada, o escritor e palestrante Rodrigo
Cardoso, costuma dizer: "diga-me com quem andas, que te direi para onde vais!",
parafraseando o famoso ditado popular. Concordo plenamente. Tenho certeza que
muito da minha disposição empreendedora vem da convivência saudável com tantas
mentes brilhantes. Afinal, não há riqueza maior que a
satisfação de ver um sonho concretizado.
Rodrigo é um treinador de primeira grandeza e acaba de presentear o mercado com
seu novo livro, intitulado "Faça diferente, faça a diferença: uma parábola
emocionante" (Rio de Janeiro, Record, 2003). Em recente palestra de lançamento,
realizada em São Paulo e patrocinada pelo programa de rádio Nova Manhã
(tradicional ponto de encontro dos sonhadores), Rodrigo citou grandes mestres do
nosso tempo. Uma das frases apresentadas não me sai da cabeça: "É divertido
fazer o impossível.", de Walt Disney.
O pai do Mickey tinha toda a razão. Enquanto a família, os amigos e o mundo
inteiro dizem que é impossível, os Realizadores de Sonhos se divertem, pois
sabem que é só uma questão de tempo para transformarem a realidade.
Lembro de Rodrigo Cardoso há uns quatro anos, quando começava a consolidar sua
brilhante carreira de treinador com a Universidade do Sucesso. Ele falava de
sonhos e tinha lançado "A resposta do sucesso está em suas mãos" (São Paulo,
Madras, 1999). Na época, ele já era muito bom, mas o mercado não o reconhecia.
Hoje, fico feliz cada vez que o nome dele é divulgado nas rádios, programas de
TV, mídia impressa e online, pois sei o quanto ele sonhou e trabalhou por este
sonho nos últimos anos.
Em direção ao Sol
"(...) Olha o céu azul, estamos prontos pra cair na estrada Sempre na linha do
horizonte, em direção ao Sol (...)"
Se você tem o costume de ouvir rádio, deve reconhecer esse trecho da canção "Eu
preciso te tirar do sério", do cantor e guitarrista Frejat. Lançada no final de
maio, é a música de trabalho do seu segundo disco solo e tem figurado entre as
mais tocadas desde então, nas principais rádios e programas de TV. O que talvez
você não saiba, é que essa música foi composta
em parceria com o também cantor e guitarrista carioca Maurício Negão.
Respeitado pela crítica e elogiado por músicos de renome como Fernanda Abreu,
Lobão e o próprio Frejat, Maurício já lançou três CDs independentes pelo selo
RASTROPOP, mas ainda não conseguiu o destaque que merece. Agora, com o sucesso
da parceria, é provável que as gravadoras e o grande público comecem a se
interessar mais pelo seu trabalho, que mistura funk, rock,
eletrônica, samba e MPB em um swing eletrizante. Lobão diz que Maurício "é uma
mistura de Jimi Hendrix com Luiz Melodia, toca e canta pra caramba, e é muito
engraçado". Muito antes da parceria, Frejat disse em uma entrevista ao Jornal O
GLOBO que o CD do Maurício não sai do som do seu carro. Enfim, vários músicos já
se manifestaram de forma parecida e o seu talento não é
novidade para quem entende.
O que isso tem a ver com o nosso artigo? É simples: conheço o Maurício há mais
de vinte anos. Fomos colegas de pré-primário. Na adolescência, estudamos no
mesmo colégio e aos quinze começamos a tocar juntos em uma banda de rock (sim,
minha primeira apresentação em público foi tocando teclados, ao lado do
Maurício). Dos quinze aos dezoito, a banda teve vários nomes e formações, até
que eu resolvi fazer publicidade e me afastei da música. Foi uma boa escolha,
pois como tecladista eu era um ótimo escritor.
O que eu posso afirmar é que desde aquela época, nós já fazíamos parte do Clube
dos Realizadores de Sonhos. Não tenho idéia das noites que passamos em claro
planejando os próximos passos rumo ao sucesso. Aos dezessete, tínhamos um
videoclipe passando no programa Demo-MTV e por muito pouco não conseguimos uma
gravadora. Foi quando eu me desentendi com o baterista e
decidi sair para cursar uma faculdade.
A partir de então, seguimos caminhos diferentes, mas progredimos juntos. Sei que
o Maurício é um gênio, com uma capacidade criativa fora do comum. Desde os
quinze anos, é considerado um dos melhores guitarristas do Rio de Janeiro. Hoje,
toca praticamente todos os instrumentos e é um artista completo, com carisma e
sensibilidade.
Não foi fácil chegar até aqui, mas ele vem conquistando aliados ano após ano. As
portas foram se abrindo lentamente, até o convite para gravar com Frejat na
Argentina. Isso aconteceu em março, duas semanas antes do meu casamento, quando
ele me avisou que não poderia mais ser padrinho. Tivemos que improvisar um novo
casal, mas fiquei feliz por ele. Torço pelo Maurício
todos os dias e sei que fez a escolha certa. Os Realizadores de Sonhos pensam
diferente. Força Negão!
Nunca é tarde para sonhar
Algumas pessoas têm o péssimo hábito de inventar desculpas para o medo de fazer
algo diferente. Uma das mais comuns tem a ver com a idade: "estou velho demais
para recomeçar", "não tenho mais tempo" e tolices do gênero. Está certo que
alguns projetos levam anos para se concretizarem, mas a decisão de mudar suas
atitudes acontece em um instante. A partir do momento em que você se filia ao
Clube dos Realizadores de Sonhos, sua vida muda para sempre. Cada passo da sua
jornada ganha mais brilho, cor e significado. Você começa, enfim, a viver em
sintonia com sua verdadeira natureza e... é melhor que seja agora do que nunca!
Desde que eu me entendo por gente, ouço a minha madrinha dizer que vai escrever
um livro. Nas reuniões de família e bate-papos descontraídos em volta da
piscina, ela falava abertamente de seus sonhos, mesmo que ninguém quisesse
ouvir. Quase sempre era levada a mudar de assunto, como se fosse impróprio falar
de suas fantasias na frente das crianças. Cresci observando isso. Professora,
divertida e sonhadora, ela seguiu sendo questionada por sua forma pouco
convencional de encarar a vida, mas eu sabia: ela fazia parte do mesmo Clube que
eu.
Nos últimos dez anos, nossa relação foi se estreitando e começamos a nos
entender como poucos. Mesmo à distância, trocamos confidências e sonhos que nos
fortaleceram. Ela aprendeu a usar o computador e a navegar na Internet com o meu
apoio. Eu falava sobre os grupos de poetas que se reunião nas salas de Chat e
comunidades, pois sabia que este era o caminho mais curto
para ela realizar seu sonho de escritora.
Os anos se passaram e ela criou asas nesse mundo. Começou tímida, mas lentamente
foi divulgando seus primeiros textos e se relacionando com outros sonhadores,
até que as portas foram se abrindo e... bem, para encurtar a história, acaba de
ser lançado o livro "Com licença da palavra" (São Paulo, Scortecci, 2003), uma
coletânea que reúne crônicas de doze autores do grupo Pax Poesis Encantada. Está
lá: Rosa Pena, pág. 143. Agora, seu próximo desafio é viabilizar o primeiro
livro solo. Quem viver, verá!
Acima das nuvens
"(...) Talvez, algum dia eu possa acreditar Que tudo vai voltar, que acima
dessas nuvens existe um sol a brilhar (...)"
Esta música você ainda não conhece, mas vai ouvir muito em breve. Se tudo é uma
questão de trabalho e persistência, a banda Gregos & Troianos está a um passo de
chegar lá.
Há pouco mais de dois anos, me impressionei com o carisma e a performance desses
rapazes na noite paulistana. Sobretudo no extinto bar Alamoana, em Vila
Madalena, que oferecia o ambiente perfeito para o rock ´n´ roll dos Gregos &
Troianos. Quem os viu naquele lugar, sabe o que estou dizendo.
Fiquei tão comovido com o show, que escrevi um artigo intitulado "Promessa do
Rock", destacando-os entre as bandas covers que sempre embalaram a região. O
texto foi publicado no boletim eletrônico Nova Economia e em sites menores de
música. Na época, nem os conhecia pessoalmente, mas a iniciativa serviu como
pretexto para me aproximar e analisar de perto o seu trabalho.
Marcamos um encontro no prédio do vocalista Carlos Pellegrini, o popular
"Batata". Lá, conversamos e ouvimos suas primeiras composições. Algumas estavam
prontas, outras seriam concluídas, mas era fácil perceber que ali estavam todos
os ingredientes para o sucesso. Eles faziam um som que parecia misturar Capital
Inicial, Skank e Charlie Brown Jr. Das músicas que me foram
apresentadas, pelo menos quatro tinham forte apelo comercial. Ou seja, com
talento de sobra, era só uma questão de trabalho e disciplina para emplacarem
nas rádios.
Naquele momento, a banda Gregos & Troianos passava por uma fase conturbada, com
o recente afastamento do tecladista José Ruivo. Eles tinham seis músicas
gravadas em estúdio e planejavam lançar um CD, mas o estado emocional dos
integrantes oscilava bastante. Davam mostras de cansaço e se desentendiam com
freqüência, talvez pelos dois anos de estrada intensa, com
pouco ou nenhum reconhecimento.
Foi aí que, sem querer, acabei exercendo um papel importante na trajetória da
banda. Aquele simples artigo e algumas palavras de incentivo serviram para
motivá-los a caminharem um pouco mais. E eles caminharam.
Os Gregos & Troianos passaram a se dedicar mais ao repertório próprio da banda e
sua evolução foi surpreendente. Com uma média de três apresentações semanais,
fizeram mais de trezentos shows, nos principais bares de São Paulo e redondezas.
Atualmente, eles têm se apresentado para milhares de pessoas no Santa Aldeia
(Vila Olímpia) e Avellino´s (Guarujá), entre outras casas menores, como Aloha e
Praia Açaí.
Com toda essa bagagem e a produção impecável de Alexandre Fontanetti (ex-Rita
Lee), resolveram regravar tudo para o esperado CD de estréia. O produto ficou
pronto em junho e é excelente. Das doze músicas gravadas, pelo menos sete podem
estourar a qualquer momento nas rádios. Só falta uma gravadora inteligente para
pegar o produto pronto e emplacar. É lucro certo!
Além da competência musical e artística, são todos determinados em busca do
sonho.
Sonhe, acredite... realize!
Eu gostaria de contar outras histórias de amigos que realizaram sonhos nos
últimos meses, mas são tantos que eu não teria como falar de todos.
Só vou citar mais alguns, como Hernani Dimantas, autor do livro "Marketing
Hacker" (Rio de Janeiro, Garamond, 2003). O Hernani é colega de listas e artigos
há uns três anos, e inventou esse conceito curioso e começou a divulgá-lo aos
quatro ventos. Em pouco tempo, o site Marketing Hacker tornou-se o campeão de
hits no mecanismo de busca Google, usando a palavra
genérica "marketing". Ou seja, a idéia pegou mesmo. Daí, para virar um livro,
foi um pulo. O lançamento deste trabalho foi no final de fevereiro de 2003.
Sandra Maia é outra colega de listas que está lançando um livro. Chama-se "Eu
faço tudo por você" (São Paulo, Celebris, 2003), pegando carona no tema "amar
demais", que entrou na novela do Manoel Carlos - "Mulheres Apaixonadas". A
Sandra começou o projeto no final do ano passado, pela necessidade interna de
compreender e aceitar suas escolhas, mas tudo aconteceu muito rápido. Veja como
ela descreve essa experiência:
- A importância do livro para mim é imensa. Trata-se de um projeto meu e
representa o trazer o foco e a energia para o meu ser. Parece que finalmente
estou me cuidando, deixando de salvar e resgatar o outro para me olhar, ficar
mais centrada. Depois do primeiro livro, escrevi dois outros trabalhos sobre o
relacionar-se que, espero, sejam também publicados nos próximos meses - afirma.
Para terminar, e como não poderia deixar de ser, falarei do meu último sonho
realizado. Lançado no final de julho, o livro "Pai-líder" já está entre os mais
vendidos, alcançando a nona posição na categoria não-ficção, segundo a Revista
Época de 18 de agosto de 2003. Que venham os próximos desafios!
Assim é a vida dos Realizadores de Sonhos. Não importa a profissão, classe
social ou idade, qualquer pessoa pode dar asas à imaginação, se estiver disposto
a pagar o preço. Nada é fácil, mas praticamente tudo é possível para quem luta
por seus ideais. Por isso, não tenha medo de arriscar. Sonhe, acredite...
realize!
Sergio Buaiz
é publicitário, escritor, consultor e conferencista. Autor do livro "Marketing
de Rede - A Fórmula da Liderança", é membro do Conselho Editorial da Revista
VENCER!, Embaixador da Universidade do Sucesso e Diretor de Projetos da
Comunidade BeFriends. Visite seu site pessoal:
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