Idéias e criatividade são os grandes diferenciais
Raúl Candeloro
Existem milhares de pequenas empresas, comandadas
por empreendedores, ganhando muito dinheiro no mundo inteiro, inclusive aqui no
Brasil. Com o barateamento dos custos de computadores e a democratização dos
recursos de informática, pequenos empresários têm aproveitado sua agilidade para
ocupar nichos de mercado e responder rapidamente às necessidades e exigências do
mercado. Essa agilidade fica muitas vezes comprometida em empresas maiores,
porque existe uma burocracia a ser seguida, que inibe fortemente a criatividade
de seus funcionários. É como se estivessem trabalhando com o freio de mão
puxado.
Mas afinal, o que é ser criativo? Podemos encontrar mais de oitenta definições
diferentes para criatividade. A que mais me agrada é a da psicóloga Eunice
Soriano de Alencar, que define criatividade como: “O processo que resulta na
emergência de algo novo e original, aceito como útil, satisfatório ou de valor,
por um número significativo de pessoas em algum ponto do tempo”.
- Resulta na emergência de algo novo e original, porque todos nós conhecemos na
faculdade os “filósofos de bar”, que - reunidos geralmente em torno de uma mesa
e bebendo cerveja -, diziam que iam mudar a estrutura sócio-econômica da nossa
sociedade injusta e opressora. E, como só falavam e não faziam nada, a sociedade
continua exatamente igual - só falar não adianta.
- Útil, satisfatório ou de valor, porque resolve um problema. Não precisa ser um
produto ou bem no sentido econômico da palavra. Pode ser uma idéia, um título de
livro, uma chamada, ou até mesmo resolver um problema inter-pessoal.
- Número significativo de pessoas, porque a criatividade só é ‘criativa’ dentro
de um grupo social, mesmo que pequeno. Ser criativo é trilhar de maneira
diferente um caminho que já foi trilhado antes. Assim como beleza e
inteligência, que são padrões de comparação (se você fosse o único ser humano na
face da Terra não seria bonito nem inteligente, porque não haveria outros para
comparar. Você apenas seria), a criatividade depende do grupo onde ela se
insere.
- Em algum ponto do tempo, porque nem todo esforço criativo é aceito
imediatamente, muito pelo contrário. Rembrandt, Botticelli, Bach e Van Gogh
estão aí para provar isso. Pasteur foi vaiado em Paris e Freud em Viena quando
apresentaram suas teorias revolucionárias, e os filhos de Darwin eram atacados
na escola - chamando sua mão de ‘macaca’.
Isso acontece porque existe uma grande resistência às mudanças. A sociedade tem
sua própria inércia e rejeita a criatividade exacerbada e radical que questiona
conceitos arraigados e aceitos historicamente. Isso não está necessariamente
errado, mas é um freio, e deve ser levado em conta. Dentre os fatores
psicológicos, de natureza individual, que tendem a promover a resistência à
inovação, podemos salientar:
• o conformismo às regras
• o dogmatismo
• a baixa tolerância à ambigüidade (tudo tem que ser preto ou branco)
• o medo de correr riscos
• o medo do desconhecido e lógico, por último,
• o comodismo
Criatividade é sinônimo de inovar, ou seja, criar algo novo. E todo mundo pode
fazer isso. Vygotsky, um expert no assunto, comparou a criatividade com a
eletricidade. Diz ele: “Percebemos que a eletricidade está presente em eventos
de diferentes magnitudes. Existe em grande quantidade nas grandes tempestades,
com seus raios e trovões, mas ocorre também na pequena lâmpada, quando acendemos
o interruptor. A eletricidade é a mesma, o fenômeno é o mesmo, só que expresso
em intensidades diferentes. A criatividade se processa da mesma forma. Todos
somos portadores dessa energia criativa. Alguns vão apresentá-la de forma
magnânima, gigantesca; outros vão irradiar a mesma energia, só que de maneira
suave e discreta. A energia é a mesma, a capacidade é a mesma; ela é apenas
distribuída de forma diferenciada.”
Resumindo, como disse um ganhador do Prêmio Nobel: “Criatividade consiste em ver
o que todo mundo viu e pensar o que ninguém pensou”. E, é claro, agir. Notamos,
porém, que muitas empresas tolhem a criatividade de seus funcionários, muitas
vezes até mesmo sem querer. São pequenos comentários que matam idéias
constantemente. Proíba que estas frases sejam ditas e faça a criatividade na sua
empresa explodir.
Raúl Candeloro é palestrante e editor das revistas VendaMais®, Motivação® e Liderança®, além de autor dos livros Venda Mais, Correndo Pro Abraço e Criatividade em Vendas. Formado em Administração de Empresas e mestre em empreendedorismo pelo Babson College, é responsável pelo portal www.vendamais.com.br. E-mail: raul@vendamais.com.br.
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