BATERIA DE CARÍCIAS

    Quanto tempo pode durar a bateria de um carro, se não estiver sendo sempre usada, estimulada e, dessa forma, recarregada?

    Todos nós temos uma bateria de carícias, que funciona como a bateria de um carro: recebendo, armazenando e gastando carga. Na bateria de carícias, existem dois compartimentos: um para as carícias positivas e outro para as negativas.

    Algumas pessoas, na infância, aprenderam a manter carregada a parte positiva da bateria, e procuram carícias positivas, ou cria para si essas carícias, mesmo que para tanto aproveitem somente o lado positivo da carícia negativa.

    Outras pessoas aprenderam a manter carregada a parte negativa, e acabam criando carícias negativas para a manterem carregada: porque, quando crianças, aprenderam a identificar amor, atenção, com carícia negativa.

    Cada um de nós tem o poder de transformar os estímulos que recebe; ou seja, com a mesma carícia, uma pessoa pode carregar sua bateria positiva ou negativamente.

    Vejamos o exemplo:

    O marido se aproxima feliz da esposa e diz:

    -- Meu bem, como você está bonita! (Carícia positiva incondicional)

    Esta pode aceitar ou transformá-la:

    -- É que hoje eu fui ao cabeleireiro. (Carícia condicional)    ou

    -- Você sabe que eu sou feia, você diz isso porque tem pena de mim.

(Carícia de lástima)

    ou

    -- Quando você me elogia é porque fez algo de errado. O que você andou fazendo? (Carícia agressiva)

    Essa é uma situação em que a pessoa transforma uma carícia positiva.

    Vejamos, agora, um exemplo de transformação de carícia negativa em positiva:

    Um homem diz para uma mulher:

    -- Eu não gosto de você. (Carícia negativa)

    Essa pessoa, autenticamente, se diz:

 

    -- Eu sei que ele está apaixonado por mim, porém encontra dificuldade de demonstrar amor, e acaba dizendo isso.

    ou

    -- Ele é um sujeito muito agressivo, eu acho importante entender que não me convém sua companhia.

    ou:

    -- Eu não preciso ficar procurando pessoas que gostam de mim.

    ou ainda:

    -- Eu sei que sou legal, mas sei também que não vou agradar a todos ...

    Geralmente é bom alguém saber transformar um estímulo negativo em positivo, desde que reflita no porquê desse acontecimento, sem que necessite se sentir mal.

    A cada momento estamos recebendo carga nos dois compartimentos (no positivo e no negativo). É importante sabermos manter o compartimento positivo carregado em nível satisfatório, porque se ele estiver baixo, aumentará a possibilidade de aceitarmos os estímulos negativos.

    Alguém pode aceitar carícias negativas em tempo de escassez, mas conservar a consciência de que é uma fase provisória e que deve procurar algo melhor: as carícias positivas.

    A meta é carregar nossa bateria com carícias positivas, que compreendem: um olhar, um sorriso, um abraço, um beijo e até numa simples sensação de estar perto.

    A nossa Carga de Carícias é representada pela seguinte fórmula:

    CARGA DE CARÍCIAS = carícias familiares + carícias conjugais + carícias profissionais + carícias sociais.

    Nós temos, na vida social, uma série de papéis, nos quais trocamos carícias:

    -- Papel de filho, irmão, às vezes, pai; Papel conjugal que é representado por nossa relação afetiva; Papel profissional que engloba o trabalho e estudos; Papel social, que são nossas relações de amizade.

    Algumas pessoas estruturam sua vida para receber as seguintes quantidades de carícias de cada papel (por exemplo):

    Oito carícias necessárias = 1 car. familiar + 2 car. profissionais + 2 car. conjugais + 2 car. sociais.

    Podemos prever que essa pessoa não vai ser dependente de ninguém,  pois possui várias fontes de carícias e se por acaso estiver com um problema profissional, vai poder receber mais carícias positivas dos outros papéis.

    Porém, quando alguém tem na sua estrutura:

    Oito carícias necessárias = 0 car. familiar + 0 car. conjugal + 8 car. profissionais + 0 car. social,     na medida em que tiver algum problema profissional, entrará em crise profunda, pois aprendeu somente a receber carícias pelo trabalho, e não desenvolveu outras fontes alternativas de estímulos.

    Uma das causas da queda no nível de carícias e, consequentemente, sofrimento, ocorre quando uma pessoa estrutura sua vida para receber carícias apenas de uma ou duas fontes, ficando com um manancial bastante pobre, exigindo em demasia dessas fontes, de modo a preencher sua cota necessária.

    Eis algumas "dicas" para manter a bateria de carícias carregada positivamente:

· Procure cercar-se de pessoas que sabem trocar carícias positivas   (não de bajuladores, com suas carícias de plástico).

· Aceite as carícias que lhe são dadas, quando forem adequadas.

· Um problema pode ser resolvido, com a motivação de crescer, não com auto-torturas desnecessárias.

· Peça elogios pelo que você fez.

· Faça surpresas para as pessoas das quais você gosta.

    AFINAL, CARÍCIAS POSITIVAS GERAM CARÍCIAS POSITIVAS.

    Uma boa solução para evitar que se carregue a bateria com carícia s negativas, é abrir novas fontes de carícias, por exemplo: ter amigos, dar mais tempo para as pessoas, ter um "hobbie".

    Nós sempre temos as alternativas para resolver um problema (ainda que seja aceitarmos sua insolubilidade).

    Porque:

    O problema não é o problema. É o que nós fazemos com ele.

 

Do livro  A CARÍCIA ESSENCIAL; Uma Psicologia do Afeto, de Roberto Shinyashiki

Conheça o livro, clique na capa ao lado

Primeiro livro de Roberto Shinyashiki, é até hoje seu maior sucesso. Lançado em 1985, já ultrapassou a 150ª edição. Fala da necessidade primeira do ser humano, o afeto. Desde o nascimento, o homem luta para receber atenção, ser reconhecido, ganhar um abraço. Às vezes, quando essa necessidade não é satisfeita, chega até a prejudicar-se para atingir seu objetivo. Afinal, indisciplina, brigas e doenças também são uma forma de gritar por afeto. O livro discute todos os aspectos envolvidos na arte de dar e receber carícias, recorre a contos e fábulas para ilustrar determinadas passagens, analisa que tipo de pensamento está oculto em frases inocentes ditas no dia-a-dia. Leva o leitor a encarar sob novo ângulo seus relacionamentos, a refletir sobre que lugar as carícias ocupam em sua vida e o que faz para consegui-las.

 

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