O pecado e a psicopatologia
"Um certo homem tinha dois filhos e o mais moço deles disse ao pai: 'Pai, dá-me a parte dos bens que me pertence.' ... E, poucos dias depois, o filho mais novo, ajuntando tudo, partiu para uma terra longínqua, e ali dissipou os seus bens, vivendo dissolutamente... Caindo em si, disse: 'Vou partir em busca do meu pai e lhe direi: - Pai, pequei contra o céu e contra ti' Mas quando ainda estava longe o pai o viu e, comovido, lhe correu ao encontro, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou... O pai disse aos seus criados: 'Rápido!... Alegremo-nos e celebremos, porque este meu filho estava morto e reviveu, tinha-se perdido e foi encontrado.'" Lucas 15:11-24
Na parábola do filho pródigo, Jesus nos diz que a principal causa do pecado é o egoísmo. A parábola, trata da solução do pecado no mundo. Jesus estava estabelecendo que o pecado é o egocentrismo que resulta em um relacionamento rompido, e a salvação é o momento em que esse relacionamento é renovado. O filho pródigo partiu deixando o pai e acabou sozinho e perdido. Quando o acolhe na volta, o pai não menciona a vida desregrada que depauperou a herança do filho, nem mesmo considera que o comportamento dele mereça punição. Ele se alegra porque o relacionamento foi restabelecido.
1 O egocentrismo situa-se no âmago dos problemas espirituais e psicológicos, porque tanto o pecado quanto a psicopatologia resultam da auto preservação a qualquer custo. Este capítulo mostra como o pecado e a psicopatologia são causados por relacionamentos rompidos, e como a salvação e a saúde psicológica acontecem quando os relacionamentos são reconstruídos."
Quem agarrar-se à própria vida a perderá."Mateus 10:39 (Living Bible)
Dora deixou de acreditar nas pessoas há muito tempo. Seus pais a desapontaram, seus amigos a decepcionaram e ela achou que Deus tampouco a ajudou. Dora passou a acreditar que quando queremos que uma coisa seja feita temos que fazê-la sozinhos. Dora encara as outras pessoas como adversários. É como se ela estivesse competindo com todo mundo por causa de tudo, sempre querendo ter certeza de que não será enganada. O problema é que, mesmo quando consegue evitar que os outros a enganem, ela ainda se sente lograda. Quando não temos com quem compartilhar as coisas, a satisfação de conseguir o que queremos não dura muito tempo.
Dora construiu um muro de defesas para garantir que ninguém conseguirá se aproveitar dela. O que não percebe é que, além de impedir que os outros entrem, esse muro a mantém presa do lado de dentro. A verdade é que Dora se ressente de estar sozinha. Ao tentar evitar ser vítima dos outros, ela criou o próprio inferno. Procura se proteger desconfiando dos outros, quer curar suas feridas permanecendo isolada. Dora tem poucos amigos porque sua atitude é muito defensiva diante das pessoas, e sua vida não parece ter significado porque ela não acredita em nada maior do que ela mesma.
Dora age como se estivesse absolutamente certa do que quer, e é em geral inútil discutir com ela a respeito disso. Mas sua fachada confiante e segura serve apenas para ocultar seu sofrimento. Dora está tão ocupada em se defender que não sobra energia para construir coisas melhores para a sua vida. O que ela não percebe é que manter os outros à distância lhe dá uma falsa segurança, mas a impede de obter o que precisa para se sentir completa. Tanto do ponto de vista psicológico quanto do espiritual, Dora extraviou-se e, sem a ajuda de outras pessoas, será incapaz de encontrar o que realmente precisa.
O ponto inicial tanto da salvação quanto da saúde psicológica é reconhecer que precisamos dos outros. Do ponto de vista espiritual, necessitamos de um relacionamento com Deus para sermos completos. De um ângulo psicológico, nossa saúde mental depende da nossa capacidade de nos relacionarmos bem com os outros. Se encararmos as outras pessoas como adversários dos quais precisamos nos proteger, nos tornamos defensivos e corremos o risco de prejudicar exatamente aquilo que estamos tão arduamente tentando proteger.
Jesus ensinou que os seres humanos são seres essencialmente de relação. Ele freqüentemente mencionava a importância da nossa relação com Deus e com os outros. Para Jesus, a saúde espiritual acontece quando os relacionamentos estão intactos, e o pecado, quando eles estão rompidos. Quando temos medo de que as nossas necessidades não serão satisfeitas, nos envolvemos em atos impulsivos de autopreservação ou em mecanismos de defesa para nos proteger. Esses mecanismos infelizmente tornam-se psicopatologia que nos separa não apenas das outras pessoas como também do nosso verdadeiro eu. Jesus declarou que os seres humanos não podem existir como ilhas; os psicólogos afirmam que não podemos ser completos sem nos relacionarmos com os outros. Tanto o pecado quanto a psicopatologia resultam de atos desesperados de autopreservação que colocam o egoísmo no cerne dos nossos problemas espirituais e psicológicos.
Texto extraído do maravilhoso livro: Jesus, o maior psicólogo que já existiu, de Mark Baker
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Jesus, o maior psicólogo que já
existiu faz uma abordagem original da relação entre ciência e religião,
ligando os principais ensinamentos de Jesus às descobertas recentes da
psicologia. |