A Força da emoção
A emoção deveria ser mais bem estudada nas universidades. Ainda é
espantoso o grau de ignorância a respeito de algo que controla e domina tão
completamente o ser humano. Se nosso cérebro tivesse apenas a inteligência tal
como é conhecida, seria muito pouco para toda essa grandeza que o homem é. Se o
cérebro é o centro das decisões humanas, a inteligência assim entendida seria
insignificante, pois participaria pouco ou quase nada das batalhas humanas.
Sempre foi dado muito valor à inteligência, a ponto de se dizer que o homem é um
animal racional. Talvez racional seja o que ele menos é. Prefiro dizer que o
homem é um animal afetivo, um animal emocional.
Outras inteligências hão de existir além desta dedutiva e matemática,
pensava eu, pelo simples fato de que a vida me mostrava cada vez mais que a
supremacia da razão colabora muito pouco para o sucesso do homem, visto que
tê-Ia e não conseguir aplicá-Ia é igual a não ter racionalidade nenhuma.
A mente, na verdade, é um corpo orgânico com tarefas determinadas, como
pensar, sentir, ser e realizar. Tudo isso só é possível com um mínimo de
intelectualidade emocional para sustentar seu enorme poder de fogo.
O cérebro, esse desconhecido, é por demais potente, mas é fraco diante da
emoção que o domina por completo, tornando-o um mero espectador de seus feitos e
"desfeitos".
Nobre aliada da mente, a emoção torna-se inimiga quando não é levada em
conta, servindo como arma poderosa contra nós mesmos.
Ela pode ser entendida como um talento que as pessoas têm, com mais ou menos
desenvolvimento. Não é um tipo de inteligência, pelo simples fato de que é
ilimitada - e pode ser desenvolvida a qualquer momento e ampliada, ao contrário
da inteligência cognitiva, que atinge sua melhor condição na idade juvenil e
depois começa a decair.
A intelectualidade emocional, ao contrário, está ali para ser
desenvolvida em qualquer momento da vida pelo seguro e fácil caminho do
movimento. E, por não ter limite, ela pode aumentar, como costuma acontecer,
conforme a pessoa vai amadurecendo, ganhando experiência e suporte espiritual,
melhorando seu desempenho nas situações do dia-a-dia, enfim, pelo exercício e
experiência da vida.
Quanto maior a elevação espiritual, maior o desenvolvimento emocional. A
emoção não está presa a neurônios e axônios, como a inteligência, e sim a um
entendimento maior de sua capacidade de superação diante das dificuldades do
momento. Por isso uma pessoa com maior poder de acreditar em si mesma possui
automaticamente mais controle sobre os acontecimentos. Principalmente quando
estes são desfavoráveis - é nessas circunstâncias que se desenha o vencedor, já
que, quando tudo corre a favor, fica mais fácil ter o controle da situação.
Quanto mais crescer nossa segurança, auto-estima e o poder de acreditar,
maior será o desenvolvimento emocional - justamente nisso é que está a grande
contribuição do movimento.
Quanto maior controle sobre o movimento você tiver, maior será sua
inteligência do movimento. E maior sua vitória sobre o próprio corpo, com uma
contribuição mais substancial para o desenvolvimento de seu corpo emocional.
Um atleta inspirado e com domínio completo dessa incrível força consegue
atingir o seu ápice, assombrando o mundo. Assim foi com todos aqueles que nos
momentos-chave souberam fazer valer essa extraordinária força que vem do mais
profundo de seu ser.
Quando colocada a nosso serviço, a emoção nos permite
realizar algo sempre além do que a princípio nos julgamos capazes. E quando
alguém acredita que pode, pode. Não precisa ser necessariamente o melhor, basta
acreditar que pode ser o melhor. Então as coisas que me aconteceram, tudo o que
vivi, me fizeram crer que, se alguém se acha capaz, não precisa de mais nada.
Mas também não adianta todo o restante do mundo acreditar que ele é capaz se ele
próprio não achar isso.
Esse acreditar tem de ser absoluto. Não se pode vacilar: "E se justo
nesse dia eu não estiver bem? Se o desempenho não for bom? Se a performance
cair?". Esse "se" não pode existir nunca. Simplesmente faça! Não pense! Deixe
fluir do fundo de sua alma essa intuição magnífica que nos empurra para a
frente. A vida conspira a nosso favor - nós é que conspiramos contra a vida.
Mas, quando você se põe a realizar um objetivo, algo ocorre no universo que o
impele em direção à vitória. Essa é a sincronicidade que nos rege, na qual
muitos ainda não acreditam.
Quantas vezes tive pupilos tenistas que perderam o jogo porque duvidaram,
porque permitiram que o "se" minasse sua certeza da vitória. "E se a minha
esquerda não sair? Eu nunca consigo mesmo! E se o meu saque não entrar?".
Como o cérebro é burro, tudo o que a pessoa fala o cérebro anota e
providencia - e então não consegue acertar mais nenhuma esquerda, os saques não
entram, porque ela se programou para dar errado.
O cérebro é uma grande força à nossa disposição. O que quero deixar claro
é que acontece um verdadeiro milagre quando você leva ao cérebro uma certeza com
emoção. E assim é em qualquer assunto da vida. O impossível é algo que é
impossível até que passe a ser possível. É necessário quebrar os tabus, derrubar
os paradigmas. Se estes acabam, pode-se alcançar o que quiser.
Quando as realizações concretas com o corpo ocorrem, tornam-se muito
fortes em nossa emoção, fazendo-nos entrar em uma outra dimensão espiritual.
Abrem-se infinitas possibilidades.
Você tem de acreditar, dar o melhor que pode e deixar fluir. Nós nascemos
para a vitória, não para o fracasso. Atingindo esse ponto, não há mais com o que
se preocupar, porque a vida conspira sempre a nosso favor. Jamais duvide disso!
Do livro: A Semente da Vitória, de Nuno Cobra
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