Aumentando a auto-estima
Imagine-se dirigindo numa
estrada desconhecida, íngreme e cheia de curvas num nevoeiro. De repente, um
carro surge de uma saída apenas alguns palmos à sua frente, perto demais. você
mete o pé no freio e derrapa, bate de lado. vê que o outro carro está cheio de
crianças, um transporte solidário para o pré-escolar pouco antes da expulsão de
vidros quebrando-se e metal arranhando metal. Aí, no súbito silêncio após a
colisão, você ouve um coro de choros. Consegue correr até o outro carro e vê que
uma das crianças jaz imóvel. Você se sente inundado de remorso e tristeza por
essa tragédia.
Esses cenários dilacerantes foram usados para deixar os voluntários perturbados
numa das experiências de Wenzlaff. Eles tentaram afastar a cena da mente
enquanto tomavam notas sobre o fluxo de seus pensamentos durante nove minutos.
Toda vez em que a cena perturbadora se introduzia em suas mentes, eles faziam um
X no que escreviam. Enquanto a maioria das pessoas pensava cada vez menos na
cena à medida que passava o tempo, os voluntários mais deprimidos na verdade
mostravam um pronunciado aumento nos intrusos pensamentos da cena, e faziam até
referências oblíquas a ela em pensamentos que deviam ser distrações dela.
E, além disso, os voluntários tendentes à depressão usavam outros pensamentos
angustiantes para distrair-se. Como me disse Wenzlaff:
Os pensamentos se associam na mente não apenas por conteúdo, mas por estado de
espírito. As pessoas têm o que equivale a um conjunto de pensamentos depressivos
que acorrem mais prontamente à mente quando estão se sentindo tristes. As
pessoas que se deprimem facilmente tendem a criar redes muito fortes de
associação entre esses pensamentos, de modo que é mais difícil suprimi-los uma
vez que se evoca algum tipo de estado de espírito negativo. Ironicamente, as
pessoas deprimidas parecem usar um tópico depressivo para afastar outro da
mente, o que apenas desperta mais emoções negativas.
Diz uma teoria que o choro pode ser uma maneira natural de reduzir níveis de
produtos químicos do cérebro que alimentam a angústia. Embora o choro possa às
vezes romper um ataque de tristeza, também pode deixar a pessoa ainda mais
obcecada com os motivos do desespero. A idéia de "um bom choro" é enganadora: o
choro que prolonga a ruminação apenas prolonga a infelicidade.
As distrações rompem a cadeia de pensamento que mantém a tristeza; uma das
principais teorias sobre a eficácia da terapia eletroconvulsiva para as depres
sões mais severas é que causa perda de memória a curto prazo - os pacientes
sentem-se melhor porque não se lembram do motivo de terem estado tão tristes.
De qualquer forma, para afastar a tristeza comum, constatou Diane Tice, muita
gente disse que recorria a distrações como leitura, TV e cinema, vídeo games e
quebra-cabeças, sono e fantasias como planejar umas férias de sonho. Wenzlaff
acrescentaria que as distrações mais eficazes são as que mudam o estado de
espírito - .um acontecimento esportivo emocionante, um filme cômico, um livro
edificante. (Uma nota de advertência aqui: algumas distrações, em si, podem
perpetuar a depressão. Estudos com pessoas que vêem muito TV constataram que,
depois, em geral elas estão mais deprimidas do que antes de começarem.)
Diane Tice constatou que o exercício aeróbico é uma das táticas mais eficazes
para suspender a depressão leve, assim como outros estados de espírito ruins.
Mas a advertência aqui é que as vantagens do exercício para levantar o animo
funcionam mais para os preguiçosos, os que em geral não fazem muito esforço
físico. Para os que tem uma rotina diária de exercício, as vantagens que isso
oferecia provavelmente foram mais fortes quando eles adotaram o hábito do
exercício Na verdade, para os que fazem habitualmente exercícios há um efeito
contrário sobre o estado de espírito: passam a sentir-se mal nos dias em que
saltam a prática. O exercício parece funcionar bem porque muda a fisiologia que
o estado de espírito traz: a depressão é um estado de baixo estímulo, e a
ginástica tica põe o corpo em alta estimulação. Pelo mesmo motivo, técnicas de
relaxamento to que põem o corpo num estado de baixa estimulação, funcionam bem
para a ansiedade um estado de alta estimulação, mas não tão bem para a
depressão.
Cada um desses métodos parece atuar para romper o ciclo de depressão ou
ansiedade porque põe o cérebro num nível de atividade incompatível com o estado
emocional que o dominava.
Alegrar-se com coisas boas e prazeres sensuais era outro dos antídotos populares
contra a tristeza. As maneiras comuns que as pessoas usavam para aliviar a
depressão iam dos banhos quentes ou comer comidas favoritas a ouvir música ou
fazer sexo. Comprar um presente ou mimo para si mesmo, para sair de um estado de
espírito negativo, era sobretudo popular entre as mulheres, como era ir às
compras em geral, mesmo que apenas para olhar as vitrinas. Entre os
universitários, Diane Tice constatou que comer era uma estratégia para aliviar
ar a tristeza três vezes mais comum entre as mulheres que entre os homens; eles,
por outro lado, tinham cinco vezes mais probabilidade de recorrer à bebida ou às
drogas quando se sentiam abatidos. O problema de comer demais ou tomar álcool
como antídotos, claro, é que facilmente tem o efeito contrário: comer em excesso
traz arrependimento; o álcool é um depressor do sistema nervoso, e assim apenas
aumenta os efeitos da própria depressão.
Um método mais construtivo de levantar o ânimo, informa Diane, é armar um
pequeno triunfo ou sucesso fácil: enfrentar uma tarefa doméstica há muito adi
ada ou cumprir outro dever de que é preciso se desincumbir. Pelo mesmo motivo,
as elevações da auto-imagem também animam, mesmo que apenas sob a forma de se
vestir bem ou maquiar-se.
Um dos mais potentes e, fora da terapia, pouco usados antídotos para a depressão
é ver as coisas de uma maneira diferente, ou contenção cognitiva.
E natural lamentar o fim de um relacionamento e revolver-se em idéias de
autopiedade, como a convicção de que "isso quer dizer que eu vou ser sempre só,
mas tal atitude certamente adensa o senso de desespero. Contudo, recuar e pensar
nos aspectos em que o relacionamento não era tão sensacional, e em que os dois
não combinavam em outras palavras, ver a perda de um modo diferente, a uma luz
mais positiva é um antídoto para a tristeza. Do mesmo modo, pacientes de câncer,
independentemente da seriedade da doença, se achavam em melhores estados de
espírito quando podiam lembrar outro paciente em estado ainda pior (Eu não estou
tão ruim assim pelo menos posso andar) os que se comparavam com pessoas
saudáveis eram os mais deprimidos.Essas comparações com piores são
surpreendentemente animadoras:de repente,o que parecia inteiramente
desencorajador não se mostra tão ruim assim.
Outro eliminador de depressão eficaz é ajudar a outros em necessidade Como
perfeitamente calmos. A depressão se nutre de ruminações e preocupações com o
ego ajudar aos outros O contínuo desligamento de emoções como ira ou ansiedade
nos tira dessas preocupações quando enfatizamos com outras pessoas com cerca de
uma pessoa em seis apresenta o padrão, segundo Weinberger.
sofrimentos próprios. Lançar-se no trabalho voluntário - treinar um timinho de
as crianÇaS aprendem a ser imperturbáveis de várias maneiras.
várzea, bancar o coronel, alimentar os sem teto era um dos mais poderosos
modificadores de estado de espírito no estudo de Diane Tice Mas também um
alcOÓlatras numa família onde se nega o problema. Outra é dos mais raros. pais
repressores eles próprios, e que assim passam o exemplo Finalmente, pelo menos
algumas pessoas aliviam sua melancolia voltando-se animaçãO ou resolução diante
de sentimentos aflitivos. Ou para um poder transcendente. Diane me disse: ser
simplesmente um temperamento herdado. Embora não se possa - A prece, quando se é
muito religioso, funciona para todos os estados de como esse padrão começa na
vida, quando os repressores atingem espírito, sobretudo a depressão. são calmos
e firmes sob pressão.
Extraído do livro Inteligência Emocional, de Daniel Goleman
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