A mudança

Mudança é desafio. Mudar alivia, frustra, ameaça, entristece ou alegra. Acima de tudo, obriga-nos a crescer. É o mecanismo através do qual a natureza nos garante a evolução e o modo como Deus nos chama de volta para casa. Mudar é desfazer as ilusões a respeito de nós mesmos e dos outros. Anjo de misericórdia ou rígida disciplinadora, a mudança está constantemente nos moldando para nos tornarmos tudo aquilo que estamos destinados a ser. Ela nos molda com a mesma precisão com que o vento forte esculpe uma árvore ou a água caudalosa dá novas formas à rocha mais dura. A mudança é o ponto de partida para atingirmos estados de consciência cada vez mais elevados. A consciência é o conjunto de toda a nossa percepção, uma síntese do coração e da mente que nos torna capazes de agir.
A mudança nos convida à flexibilidade e ao risco. Ela nos oferece por mais vezes o despertar da consciência até o estágio em que temos vontade de morrer para aquilo que é velho. Quando apenas suportamos a mudança com estoicismo ou protestamos contra ela em altos brados, não aprendemos nada e adiamos o inevitável. Contudo, quando aceitamos a mudança — quando simplesmente a aceitamos, nada mais que isso — ela catalisa a nossa vida, amplia o nosso conhecimento e faz com que a nossa perspectiva passe do medo à afirmação da vida. Isso porque vida significa mudança.
Há várias maneiras de se lidar criativamente e sem temor com a mudança. Uma delas é através da compreensão da própria mudança. Quando alguém é envolvido no drama de uma repentina crise pessoal, é na maioria das vezes um desafio ser capaz de ver nele algum sentido. Mas a mudança significa sempre um processo, mesmo quando chega repentinamente. Em geral, ela parece ser caótica e ameaçadora, sem nenhuma direção clara. A palavra-chave aqui é parece. Isso quando a examinamos a partir de um ângulo mais amplo, porque, se fizermos um retrospecto, veremos na mudança a ação da evolução planetária ou pessoal.
Há um ritmo no modo como a mudança ocorre. Com o passar dos anos, venho tomando consciência desse ritmo, graças ao privilégio de participar dos "grupos" de centenas de pessoas que enfrentaram seus desafios, muito embora as situações e as particularidades sejam tão diferentes como são as próprias pessoas.
Quando entrei em sintonia com o ritmo da mudança, percebi que muitas pessoas que vinham em busca da minha orientação pela primeira vez tinham vinte e um, vinte e oito, trinta e cinco, quarenta e dois, quarenta e nove, cinqüenta e seis ou sessenta e três anos de idade. Com o tempo, percebi que se encontravam no primeiro estágio de um ciclo de sete anos. Acabei constatando que as principais alterações em suas vidas anunciavam profundas modificações — casamentos, divórcios, mortes, nascimentos, mudanças na vida profissional — todas girando em torno do ano exato de uma mudança de ciclo, poucos meses antes ou poucos meses depois. Quando não havia coincidência, tratava-se de clientes que insistiam para que eu recebesse seus filhos adolescentes, que tinham, em geral, a idade de 14 anos.
No início, presumi que essa ocorrência estivesse em sincronia com as tarefas de desenvolvimento biológico e psicológico pertinentes às várias faixas de idade. E, de fato, acredito que haja alguma correlação aqui, certos impactos fortes que têm a ver com o desejo que o indivíduo tem de se casar, com épocas propícias para promoções na carreira, com o próprio fato de ficarmos mais velhos e com o envelhecimento e a morte de nossos pais.
Porém, é forçar demais a credibilidade fazer com que todas as mudanças que eu observei se enquadrem nos modelos científicos. E esse ponto de vista não fazia nenhum sentido quando um homem sofria um acidente de automóvel que o deixava paralítico e mudava a sua vida exatamente aos trinta e cinco anos; ou quando morria de repente a mãe de uma jovem mulher, na época em que esta completava vinte e oito anos. Mas, por que não vinte e seis ou trinta? Por que o divórcio ocorreu precisamente aos quarenta e dois? E por que a ação judicial aos cinqüenta e seis?
Muitos cosmólogos do mundo todo sugerem que a criação ocorre em ciclos de sete. No relato bíblico, Deus criou o mundo em seis dias e descansou no sétimo. Os metafísicos diriam que o ciclo simboliza sete grandes períodos de tempo e apontariam para versões correspondentes nas crenças zoroástricas e no xintoísmo japonês, no hinduísmo e nos mitos de outras culturas espalhadas pelo mundo.
Desde as manchas solares e os colapsos econômicos até a desova dos peixes e as mudanças na moda, os grandes astrólogos raramente são surpreendidos com os ciclos previsíveis de ação. Eles consultam o horóscopo de uma pessoa ou de todo um país, assinalam as passagens cíclicas dos planetas pelos signos simbólicos do zodíaco conforme eles se sobrepõem, se opõem ou se complementam e indicam as prováveis e significativas épocas de mudança iminentes. Eles não sabem exatamente o que vai acontecer, mas podem revelar com sucesso que algo profundo vai acontecer.
O universo é apenas isso — um universo — e nós estamos em compasso com a energia que mantém tudo coeso. Temos influência sobre tudo o que acontece e somos influenciados por tudo o que acontece.
Portanto, quer estejamos lidando com uma trama bastante complexa, na qual os movimentos da mudança podem durar toda uma vida, quer estejamos lidando com um modelo mais superficial no qual os estágios de mudança devem ser inteiramente elaborados do começo ao fim, no pequeno prazo de semanas ou meses estamos sempre às voltas com muitas mudanças ao mesmo tempo. Nossa vida é formada de ciclos, uns dentro dos outros — uns se completando rapidamente, outros se desenvolvendo lentamente.
 

Texto extraído de: As sete Etapas de uma Transformação Consciente, de Gloria Karpinski. Clique na capa abaixo e compare preços para este livro.

 

 

 

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