O menino que mudou o mundo
Há muitas gerações atrás, um pequenino estava a caminhar em meio aos templos de sua aldeia - no seu jeito inocente como toda boa criança – notando tudo ao seu redor. Observava tudo, admirava tudo e fazia planos com tudo. E por mais que pequenino era, notou que podia mudar o mundo com simples idéias que havia tido ali.
Algum tempo depois, notou que os homens que eram tidos como sábios nas redondezas, liam e escreviam grandes livros e tratados. Como era pobre, não tinha como aprender a ler e a escrever. Por um momento ficou triste, mas mesmo assim, continuou a acreditar em suas pequenas e simples idéias, e ao invés de desistir, resolveu aprender ouvindo - do lado de fora das salas de reunião - todas as conversas e discussões entre os sábios.
Certa manhã, finalmente ele resolveu exercer suas idéias, e em meio à praça pública começou o seu discurso. Mas as pessoas começaram a caçoar do pobre menino, e ninguém o dava atenção. Quando a noite caiu, ele chorou em sua velha cama de palha. Por um momento quase desistiu, mas apesar de tudo o que passou naquele dia, continuou a acreditar em suas pequenas e simples idéias.
No dia seguinte, teve medo. Tinha medo de novas gozações. Tinha medo de estar errado perto dos sábios que ali sempre passavam. Tinha medo das pessoas o criticarem. Tinha medo de ninguém ouvi-lo. Mesmo assim, continuou a exercer suas idéias. Ninguém o ouvia, ninguém o dava atenção, alguns caçoavam, outros lhe lançavam olhares de estranhamento. Em alguns momentos o pobre menino pensou em desistir, em outros mal conseguia falar devido ao que sentia em meio aquelas duras reações. Uma lágrima correu-lhe, olhou pra baixo, e como um milagre, algo lhe deu forças - porque ele estava lutando por seus sonhos. Enxugou as lágrimas e, determinado, continuou a discursar elevando a sua voz cada vez mais.
Durante uma semana o menino ia sempre lá, e já conseguia atenção por alguns segundos de algumas pessoas. As gozações haviam cedido, mas nada dava resultado. Acreditou que o povo já havia se acostumado com ele e nunca teria sucesso. Mas como um novo milagre - porque o garoto estava lutando com todas as suas forças por seus sonhos -, um grande, porém humilde sábio parou diante dele para ouvi-lo. Estava realmente impressionado com as palavras que ele pronunciava, seu entusiasmo misturado ao medo, e claro, suas idéias em si. Assim, outras pessoas pararam e apesar do nervosismo, o menino tomou fôlego e prosseguiu.
Anos e anos se passaram, e todo dia o menino - que já era um rapaz - pregava suas idéias, e como já havia adquirido grande multidão que o seguia, caminhava buscando novas aldeias. Havia conquistado o que queria, realizara o seu sonho e mesmo com tantas dificuldades, superou todas. E agora buscava realizar mais sonhos.
Infelizmente, alguns sábios arrogantes da aldeia onde o rapaz estava pregando, começaram a invejar seu sucesso. Então, resolveram perseguí-lo de várias formas: diziam que ele não sabia o que falava, não possuía estudo para dizer tudo aquilo, era um enganador e um mentiroso; e durante um longo tempo, recebeu várias ameaças. Ficou muito triste por isso, mas mesmo assim, continuou a acreditar em suas pequenas e simples idéias.
Pouco tempo se passou e as ameaças se concretizaram. Condenaram o rapaz e suas boas idéias. Ele ficou muito triste, pensou que tudo o que havia conquistado até ali estava perdido para sempre. Mas o seu coração deu um sinal. Então ergueu a cabeça e continuou a acreditar fortemente em tudo o que já tinha conseguido. Assim, disse:
- Levem minhas idéias adiante.
Quando morreu, todos puderam ver um grande sorriso em sua face. Ele se deu conta de que era o homem mais feliz de todos, pois ao olhar seu passado, viu que apesar de todas as dificuldades não havia desistido e conseguira tudo o que sempre quis, afinal, acreditou em seus sonhos. E por isso, a vida apesar de dura e difícil, também o ajudou em vários momentos.
A história termina quando um anjo, de presente, deu-lhe uma visão: num futuro remoto, muitas - mas muitas pessoas mesmo - estariam ouvindo suas idéias e levando-as adiante por uma eternidade toda.
A. G. D. S.
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