A felicidade que nunca chegou
Quando tinha 13 anos, Felício dizia: aos 15, minha vida vai mudar, e vou poder ser feliz. O tempo passou, o garoto cresceu e finalmente completou 15 anos. Disse: aos 18 anos, vou ser maior de idade e poderei fazer o que quiser; assim, finalmente poderei ser feliz.
Felício aguardava pela sua felicidade, até que completou 18 anos; teve de assumir responsabilidades que jamais pensava ter: faculdade, trabalho… E por isso - segundo sua concepção - não podia ser feliz; tinha de esperar mais.
O tempo continuava a passar: Felício se casou, teve filhos, netos, bisnetos e, certo dia deixou este mundo. Quando isso aconteceu, sua alma foi levada para o vazio - onde não havia tempo nem espaço - e à ele, foi permitido que revisse toda a sua vida.
Observou o quanto brigou com os pais, o quanto despejou suas angústias na esposa e nos filhos, e consequentemente, nos netos e bisnetos. Então, sua voz ecoou no vazio:
- Sempre esperei a felicidade, nada mais. E o que recebi foi apenas angústia e tristeza; a vida foi injusta comigo.
Como vindo em sua direção, uma voz surgia:
- A vida lhe deu todas as oportunidades: os 13 anos que tanto esperou, os 15, 18 e tantos outros. Você poderia ter morrido aos 12 anos como seu amigo de infância, ou aos 14, ou aos 17… Mas a vida foi muito boa com você, lhe dando chances para que finalmente fosse feliz. Entretanto, você desperdiçou tudo isso, para tornar-se triste e, claro, fazer triste as pessoas ao seu lado.
E como se a voz fosse se distanciando, continuava a falar até se perder no vazio: “Quem espera o dia de amanhã para ser feliz, será sempre triste, não importa a idade, o lugar em que mora, o quanto dinheiro tem…”.
Uma mensagem para que possamos refletir sobre as oportunidades que a vida nos dá, e principalmente, nos alertar de que quem faz a felicidade, somos nós.
A. G. D. S.
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