A Forma

A Floresta vai lhe responder no mesmo tom que você usar para se dirigir a ela.
Provérbio Finlandês

Tudo aquilo em que você acredita é verdadeiro — para você. Nós não agimos fora da nossa percepção da realidade. Toda figura e cada estrutura que nosso sistema de crenças assume em relação a qualquer assunto é a nossa "forma". Nossas formas permitem que nos expressemos dentro dos parâmetros daquilo que acreditamos que somos. Bom, mau, possível, impossível — esses conceitos são significativos para nós na medida em que acreditamos neles.
A Terra é um planeta de formas. Nós precisamos de formas a fim de nos exprimir aqui. Nossos corpos são formas; assim também nossos pensamentos e emoções. Recolhemos energia do reservatório universal para preencher as formas que esboçamos. Aquilo que por fim acaba se concretizando em realidade física é a forma de autolocupletação que elaboramos com nossos desejos e padrões de pensamento. Acredite que uma coisa é verdade e ela acabará se manifestando. Nada muda até que a forma que possuímos seja desafiada.
"Se ao menos eu acreditasse em tudo aquilo que afirmo acreditar"
Há vários anos, eu estava terminando a consulta de uma senhora encantadora, já de idade. Nós duas estávamos silenciosas, quando abri os olhos e voltei a um estado desperto de consciência. Foi então que ouvi a tal senhora exclamando: "Oh, eu sei que você está certa. Se ao menos eu acreditasse em tudo aquilo que afirmo acreditar." Que maneira simples e profunda de sintetizar grande parte do nosso dilema! Quantas vezes você já não se surpreendeu fazendo concessões aos pensamentos negativos ou se comportando de um modo que sabia, mesmo enquanto o fazia, que não era aquilo em que realmente acreditava? Desconfio que todos nós fazemos isso.
O fingimento e o ritual dedicados às grandes verdades do espírito em nossos dias bastariam para nos fazer andar todos sobre as águas. Qual é a pessoa sensível que não “acredita” no amor, na justiça, na igualdade? Quem quer que viva mais ou menos atento no planeta Terra, hoje, certamente “acredita” no imperativo de proteger o meio ambiente. Não dizemos aos nossos filhos, aos nossos alunos, às nossas congregações para “acreditar” na indiferença, na guerra e na ganância, assim como também não lhes dizemos para priorizar suas vidas em função de um toca-discos a laser ou de uma carteira sofisticada. O que lhes dizemos está relacionado com a generosidade, com a melhora da condição humana, com a realização de seus talentos.
Não há nenhuma área da experiência humana em que sejamos mais enfáticos, mais emotivos ou mais inflexíveis em nossas crenças do que a espiritualidade. Declaramos que o nosso “Deus é um Deus de paz”, enquanto engendramos meios cada vez mais eficientes para matar. “Deus está em toda parte”, dizemos uns aos outros e depois continuamos eliminando da lista pessoas e até mesmo nações, raças, religiões e espécies inteiras.
Afinal, qual é o problema? Somos todos hipócritas? Estamos simplesmente derramando palavras suaves sobre um nobre sistema de crenças como tinta sobre as nossas frustrações? Estamos oprimidos? Desesperados? Ou é possível que tenhamos um alto grau de ambivalência funcionando no subconsciente? Suspeitamos secretamente que nossos ideais nada representam se comparados com as realidades do mundo material? Como é que nós nos tornamos aquilo em que acreditamos? Talvez isso comece com a aceitação de que já estamos vivendo aquilo em que acreditamos — talvez só não seja aquilo em que desejaríamos acreditar.
Posso querer acreditar no amor, mas isso significa abrir mão da minha crença no medo. Quero acreditar na abundância, mas isso requer que eu amenize o meu apego ao que é limitado. O fato é que estou vivendo exatamente aquilo em que acredito. Se eu quero saber em que acredito realmente no que diz respeito a mim mesmo, a Deus, à realidade, tudo o que tenho de fazer é olhar para o meu mundo. Vou repetir precisamente aquilo que minha agenda é — quer esteja escondida, quer não. Como Jesus disse: “Ser-te-á dado conforme a tua fé.”
Um ideal, mesmo que o achemos intuitivamente verdadeiro, não é a nossa crença até ser vivido num nível molecular. Então nós nos tornamos essa crença. Não se trata mais de um ideal “lá fora”, externo, que podemos usar ou guardar como as roupas de cada estação. Aquilo que somos não pode estar mais separado de nós do que a cor de nossos olhos. Eu posso teorizar que o universo é um lugar adorável, mas fechar os olhos para o drama existente, que não é tão adorável. Porém, quando sei verdadeiramente que o universo é adorável, eu me torno amor. O amor inspira tudo o que eu faço, seja rezar, preparar uma salada ou disciplinar uma criança. O amor está na minha impressão digital. Uma crença que se torna parte de nosso ser tem o poder de afetar, e até mesmo de alterar, tudo aquilo que toca. Veja o exemplo das palavras. Quando são repetidas de cor, geralmente soam como clichês, enfadonhas e sem vida. Mas essas mesmas palavras alçando vôo numa fusão do desejo, da vontade e da convicção, assumem o poder alquímico de transformar. Quando nos tornamos uma crença, a freqüência de energia que ela emite penetra na nossa aura permanente, naquilo que irradiamos para o mundo. A aura é formada pela totalidade de nossas energias sutis — físicas, emocionais, mentais e espirituais. Estados de espírito, atitudes e até mesmo nossos altos e baixos físicos são como as cores mutáveis e os estados de um lago que reage às diferentes condições do tempo.
Todas as freqüências têm um som e uma cor. Elas podem ser sentidas nas nossas auras pela maioria das pessoas e podem ser vistas por outras. Até mesmo a gíria que usamos demonstra que percebemos essas emanações. Dizemos que alguém está "verde de inveja". É verdade. A cor da inveja se reflete, de fato, na aura, como um verde bilioso. Dizemos que estamos nos sentindo blue [em inglês, a palavra blue tem dois significados: "azul" e "triste" (N.T.)]; uma pessoa desanimada tem uma tonalidade particular de azul na sua energia. A aura da pessoa verdadeiramente deprimida está repleta de um cinza sem vida.
Quando uma pessoa está zangada, sinais vermelhos podem ser vistos em sua aura. Quando passa o momento da raiva, a energia se dispersa, assim como o clarão vermelho na aura. Contudo, se essa mesma pessoa anda pelo mundo constantemente zangada, a energia vermelha torna-se parte permanente da sua aura. Essa pessoa emite sua raiva para o mundo o tempo todo, como uma notícia que fosse o tempo todo repetida por uma radio emissora. Enquanto somos passíveis de nos irritar com o "tempo" instável que vivenciamos uns em relação aos outros, essas irradiações permanentes afetam o mundo todo.
Apenas obtemos a cor da nossa pele, de nossa aura permanente, quando estamos vivenciando uma verdade particular. Há, por exemplo, em certas auras, um tom profundo e intenso de azul, a cor da devoção. Você pode pensar que esse azul deve ser visto principalmente na aura de monges piedosos. Porém, eu já vi mais esse tom de azul específico nas auras de cientistas do que nas de qualquer outro grupo, tanto de cientistas espiritualistas como de cientistas materialistas, embora eles fossem capazes de se arrepiar se eu sugerisse que estavam buscando a Deus num tubo de ensaio ou na ponta do telescópio ou do microscópio. Mas, se Deus é verdade, é exatamente isso que eles estão procurando — as verdades materiais de Deus. E eles usam essa cor específica de devoção em suas auras. Estou me referindo aqui a verdadeiros cientistas, não a técnicos. Os técnicos podem ser manipuladores muito habilidosos da realidade material, mas não são verdadeiros cientistas. O verdadeiro cientista, por maior que seja o brilhantismo com que tem revelado as realidades até o momento, comporta-se como uma criança diante do desconhecido. Os verdadeiros inquiridores da verdade podem dominar o conhecimento existente, mas não tentarão trancá-lo numa gaiola. Um lado está sempre aberto para o universo para que haja expansão. Einstein disse certa vez que aprendeu tudo o que sabia, em primeiro lugar, por intermédio da intuição e depois passou horas no laboratório em busca das provas. Nós respeitamos e recompensamos as pessoas que apóiam a compreensão que temos da realidade, mas talvez o nosso maior débito seja para com aqueles que buscam aventurar-se fora da realidade.
 

Texto extraído de: As sete Etapas de uma Transformação Consciente, de Gloria Karpinski. Clique na capa abaixo e compare preços para este livro.

 

 

 

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