Mais estratégias para o sucesso
Controle
Controle é a função que assegura que toda a energia da equipe e os recursos
disponíveis, estão se mobilizando e fazendo com que as coisas aconteçam. Às
vezes as equipes se assemelham a engenhocas velhas e ineficientes, com grande
parte de sua energia indo para o espaço, como vapor, não fazendo nada para
colaborar com o avanço desse monstro de ferro.
É claro que seres humanos não são máquinas, e parte de sua energia durante o dia
irá para discussões e atividades que não se
relacionam com a tarefa em comum.Dentro dos limites do bom senso, essa “perda de
tempo” é aceitável, mas poderá vir a ser um
problema para uma equipe que não tenha realmente uma atitude positiva frente à
tarefa em comum.
Angela Roberts foi nomeada líder de equipe numa fábrica de montagem de aparelhos
de televisão, num momento particularmente
difícil. As vendas estavam caindo, reclamações sobre a qualidade eram
abundantes, e o moral estava particularmente baixo. Já no primeiro dia de
trabalho, ela observou um sintoma desse moral baixo. Os empregados da fábrica de
produtos eletrônicos na qual trabalhava antes, faziam, em geral uma pausa de 15
minutos para o cafezinho no período da manhã, enquanto aqui a norma era de quase
45 minutos. “Você está tendo diante de você um problema de controle”, ela disse
a si mesma, e, como uma boa líder, pelo exemplo e pela palavra logo introduziu
um novo padrão.
Faz parte do instinto natural dos líderes (talvez em contraposição aos
administradores) contar ao máximo com o autocontrole e a autodisciplina dos
outros. Quanto melhor a equipe e os membros individuais que a constituem, mais
você pode fazer isso. A autodisciplina é a única maneira de sermos controlados,
e livres. Se o controle e a disciplina forem impostos a nós — e às vezes isso se
torna necessário — sempre perdemos um elemento de liberdade. Entretanto, a
liderança só existe realmente entre pessoas livres e iguais, e assim,
definitivamente, o autocontrole é um elemento necessário da liderança. Se isso
não existe num grupo ou equipe, organização ou comunidade, então eles estão
inadvertidamente tirando de si mesmos a oportunidade
de vivenciar a liderança como oposição à administração.
A palavra “controle” vem do latim medieval contrarotulare, originalmente
significando “verificar as contas”. Sua origem financeira nos faz lembrar que as
finanças, sob diferentes formas — objetivos de lucro e limites de gasto — são um
importante meio de controle. As equipes auto-administradas (que não são a mesma
coisa que equipes sem líderes!) tomam a si a responsabilidade pelo orçamento
para planejarem e controlarem seu próprio trabalho. Dentro de certos limites,
elas possuem discrição quanto à utilização dos recursos — especialmente em
relação ao dinheiro — que lhes foi confiado para alcançarem o objetivo
combinado.
Um campo no conceito de administração, e que muitas vezes passa despercebido na
liderança, aqui é muito importante. Administração implica a utilização eficiente
dos recursos assim como de seu uso eficaz. Nesses tempos de recursos escassos —
seja o tempo das pessoas, o dinheiro e o material em todas as suas formas — o
uso parcimonioso ou econômico dos recursos é imperativo para todos aqueles que
mantêm papéis de liderança organizacional ou comunitária.
Bons líderes serão administradores no sentido de que eles economizam
cuidadosamente e gastam com boas coisas os recursos
de que dispõem. Eles conseguem o máximo de resultados com o mínimo de recursos.
Avaliação
Como já vimos anteriormente, uma parte fundamental da definição de tarefas é o
estabelecimento de critérios de sucesso, pelos quais saberemos se estamos
alcançando o objetivo, ou pelo menos fazendo progressos na sua direção em
sentido geral. A avaliação, porém, é muito mais ampla do que isso. Ela é aquela
parte do pensamento que se refere aos valores.
O sucesso tem a ver com valores, fundamentalmente com os valores que afetam a
empresa ou o indivíduo. O desempenho terá
que ser julgado em relação a esses valores, que normalmente estão implícitos nos
propósitos da empresa. Ele vai ao encontro do círculo da necessidade de tarefa,
porque as pessoas precisam saber onde se colocar em relação aos resultados
finais que estão almejando.
Conseqüentemente, a avaliação ou a revisão não é algo que você, como líder, vá
deixar para o final. Cada vez que você fizer um comentário em relação ao
progresso — ou à falta dele — ou convidar a equipe a considerar seus próprios
critérios de sucesso com os quais concordaram, você estará desempenhando a
função de avaliação.
Por ser uma função mental de vulto, uma parte integral do pensar, valorizar ou
avaliar terá um papel crucial nas tomadas de decisões. Quando você considera as
possíveis conseqüências de uma decisão, por exemplo, está em processo de
avaliação.
Por que razão avaliar a equipe, ou fazer com que a equipe avalie suas formas de
trabalho em conjunto? Porque essa é a principal forma de construir ou
desenvolver a equipe. Nenhuma equipe é perfeita. Muitas são boas; poucas são
muito boas; só bem poucas são excelentes. Aqui vão alguns critérios ou marcas
distintivas de uma equipe excelente, de alto desempenho:
Objetivos claros e realistas — todos sabem quais são os objetivos da equipe, e
qual a sua parte no plano.
Senso de propósito compartilhado — com isso não estou pretendendo
dizer que todo membro da equipe saiba de cor todos os objetivos da empresa, mas
que você vivencie o que os engenheiros chamam de vetor; direção + energia.
Utilização otimizada de recursos — todos os recursos pertencem à equipe e são
postos em ação de acordo com a prioridade.
Atmosfera de abertura — excelente comunicação bidirecional entre líder e
membros. As pessoas podem falar abertamente, sem medo de serem considerados
críticos. Tudo o que importa é assegurar que as melhores decisões sejam tomadas.
Administração da derrota — o sucesso é muitas vezes encontrado no limite do
erro. Uma equipe de alto desempenho levanta
rapidamente após uma derrota, aprende a lição e segue adiante.
Resistência a adversidades — a prova de uma equipe de alto desempenho reside nas
tempestades que abatem outras equipes,
menos firmes. A verdadeira avaliação de uma equipe acontece em situações de
transformação difíceis e exigentes.
Quando o assunto é trabalho de equipe, lembre-se de que muitas vezes o sucesso
gera derrota. Equipes bem-sucedidas às vezes ficam confiantes demais, até mesmo
arrogantes, e é exatamente aí que se inicia o processo de erros, aqueles que
podem afundar a empresa. O preço da excelência no trabalho de equipe é a eterna
vigilância.
Como líder, você deveria ter um relacionamento com cada membro da equipe — um
relacionamento apropriado, porém
diferenciado — bem como um relacionamento com a equipe toda. Isso vai envolvê-lo
em conversar com/e ouvir cada indivíduo. As suas observações e conversações
podem levar você e alguns deles a assumir o papel de orientador e conselheiro.
Se você trabalha para uma empresa poderá ter de avaliar cada membro da equipe.
Avaliar o desempenho individual é de fato uma
expressão natural de liderança. Se isso for algo formalizado ou sistematizado na
sua empresa, você deveria tomar medidas para
evitar que a avaliação se torne uma rotina burocrática. O livro de Terry Gillen,
Avaliação de desempenho (Nobel, São Paulo, 2000) tem uma profusão de conselhos
práticos para lhe oferecer a esse respeito.
Motivação
Se a comunicação é irmã da liderança, então a motivação também o é.“Motivação”
vem do verbo latino “mover”. Existe, é claro, uma variedade de formas de
mobilizar pessoas: você pode ameaçá-las com punições de diversas formas, ou
induzi-las por recompensas financeiras. Embora essa forma de motivação seja
considerada parte tanto da liderança como da administração, não é característica
desta última.
Eu sei que uma das coisas que se espera dos líderes é motivar pessoas por uma
combinação de recompensas e ameaças — é o truque “da cenoura e da vara”. Um
pensamento bem recente sugere que eu e você nos motivemos em grande parte por
meio da resposta a necessidades interiores. Como líder, você deve compreender
essas necessidades nos indivíduos, e como operam, para poder trabalhar com a
índole da natureza humana, e não contra ela.
Nesse campo, assim como em outros, é útil conhecer um esquema. Aqui, o conceito
de hierarquia de necessidades de A. H. Maslow ainda é válido. Ele sugeriu que as
necessidades individuais vêm dispostas em ordem de importãncia: a mais forte na
base e a mais fraca (porém, mais distintivamente humana) no topo.
O texto acima foi extraído do livro Como Tornar-se um Lider, de John Adair
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