Mais que Gregário Social

Animais que andam em bandos em geral são gregários. Apesar de estar juntos, cada um se protege como pode contra o predador, baseado no instinto de sobrevivência. O bando tem seu líder, que é o macho mais forte. Ele defende sua(s) fêmea(s) e respectivas crias. Seu reinado é mantido a força, até surgir outro macho que o desafie e o derrote. É a lei do mais forte.

Os gnus africanos migram, aos bandos, milhares de quilômetros atrás de água e comida. No trajeto, são devorados por leões, crocodilos e outros predadores. Cada um tem sua estratégia de caça herdada geneticamente. O leão aparta a vítima do bando e a coloca em campo aberto, onde fica indefesa, O crocodilo, por sua vez, arrasta a gnu para dentro da água. Se os gregários gnus formassem uma sociedade, bastaria alguns mais fortes apontarem seus chifres contra o predador para que este desistisse da idéia de atacá-los e procurasse outras presas mais frágeis.

As formigas e as abelhas formam uma sociedade, isto é, vivem juntas no mesmo ninho, cada uma desempenhando uma função específica em benefício da coletividade. Entretanto não formam uma civilização, pois lhes falta o que os humanos têm: inteligência, criatividade, liberdade, responsabililidade, educação dos instintos, sistemas educacionais, realizações econômicas, políticos e comunicacionais, solidariedade, cidadania, ética...

Nos grandes centros urbanos, às vezes os cidadãos vivem como se estivessem num bando: cada um por si. Num assalto à mão armada, por exemplo. Quem está vendo o crime nem se mexe, para não ser a próxima vítima. É a lei do mais forte, e o revólver confere a quem o empunha a condição de predador invencível. O cidadão, um ser social e civilizado, deve usar outros recursos para lutar contra os assaltantes, não deve reagir e in fringir assim a lei do mais forte. Como ele pertence a uma sociedade, para se defender tem de utilizar os instrumentos que a sociedade lhe oferece.

Se um irmão da espécie se torna predador, é preciso que os outros se organizem para atendê-lo em suas necessidades básicas. Temos de nos defender dos predadores sociais atacando os focos que favorecem e alimentam suas formações.

Não adianta apenas dar comida a quem tem fome. É preciso prepará-lo para que consiga comida por conta própria. Mas, enquanto ele se capacita, fica sem comer?

Está na hora então de se envolver num trabalho social de recuperação desses predadores, não só oferecendo-lhes condições de sobrevivência e educação. Educar significa alimentar o corpo enquanto se prepara a alma.

Texto extraído do livro: Quem Ama Educa, de Içami Tiba

 

Esta obra trata de importantes assuntos como - caminhos para uma nova educação, diferentes relacionamentos familiares, incluindo um capítulo no qual o autor selecionou algumas perguntas que foram encaminhadas para ele por pais e mães aflitos ou preocupados em educar melhor seus filhos. Este livro tem o objetivo de devolver para a família a responsabilidade de educar os filhos, hoje atribuída à escola, dada a nova dinâmica familiar e profissional da sociedade ocidental. Içami Tiba se propõe a ajudar os pais nessa empreitada reforçando a importância de valores e atitudes como limites e diálogo.

 

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