A Força do Pensamento
 

Colocou-se para estudantes universitários a seguinte situação:
Embora você se propusesse a receber um B, quando chega o resultado de sua primeira prova, valendo 30% da nota final, é um D. Passou-se uma semana desde que você recebeu o D. Que é que você faz?
A esperança fez a diferença. A resposta dos estudantes com alto nível de esperança era trabalhar mais e pensar numa gama de coisas que podiam tentar para elevar a nota final. Os estudantes com moderados graus de esperança pensavam em várias maneiras de aumentar a nota, mas tinham muito menos determinação de segui-las. E, compreensivelmente, os estudantes com baixos níveis de esperança desistiam das duas coisas, desmoralizados.
A questão não é apenas teórica, porém. Quando C.R. Snyder, o psicólogo da Universidade de Kansas que fez esse estudo, comparou a ficha acadêmica real de calouros com altos e baixos níveis de esperança, descobriu que a esperança era um melhor instrumento de previsão de suas notas no primeiro semestre do que suas contagens no SAT, um teste que se supõe capaz de prever como os estudantes vão se sair na universidade (e altamente relacionado ao QI). Também aqui, tendo-se em geral a mesma gama de capacidades intelectuais, as aptidões emociOnais fazem a crítica diferença.
Explicação de Snyder:
Os alunos com alta esperança estabelecem para si mesmos metas mais altas, e sabem como se esforçar para atingi-las. Quando se comparam alunos de aptidão intelectual equivalente nos rendimentos acadêmicos, o que os distingue e a esperança.
Como diz a conhecida lenda, Pandora, uma princesa da Grécia antiga, recebeu de deuses ciumentos de sua beleza um presente, uma caixa misteriosa. Disseramhe que jamais a abrisse. Mas um dia, vencida pela curiosidade e a tentação, ela ergueu a tampa para dar uma espiada, liberando no mundo os grandes males-doença, inquietação, loucura. Um deus compadecido permitiu-lhe, porém, fechar a caixa a tempo de prender o único antídoto que torna suportável a infelicidade da vida: a esperança.
A esperança, descobrem os pesquisadores modernos, faz mais que oferecer um pouco de conforto na aflição; desempenha um papel surpreendentemente poderoso na vida, oferecendo uma vantagem em domínios tão diversos como o rendimento escolar e agüentar empregos onerosos. A esperança, no sentido técnico, é mais do que uma visão ensolarada de que tudo vai dar certo. Snyder define-a com mais especificidade como "acreditar que se tem a vontade e os meios de atingir as próprias metas, quaisquer que sejam".
As pessoas tendem a diferençar-se na medida geral em que têm esperança, nesse sentido. Alguns julgam-se, tipicamente, capazes de sair de uma enrascada ou encontrar meios de solucionar problemas, enquanto outros simplesmente não se vêem como tendo a energia, a capacidade ou os meios de atingir suas metas.
Snyder constata que as pessoas com altos níveis de esperança têm certos traços comuns, entre eles poder motivar-se, sentir-se com recursos suficientes para encontrar meios de atingir seus objetivos, reassegurar-se numa situação difícil de que tudo vai melhorar, ter flexibilidade bastante para encontrar meios diferentes de chegar às metas, ou trocá-las se uma se tomar impossível, e ter o senso de decompor uma tarefa formidável em outras menores, mais manejáveis.
Da perspectiva da inteligência emocional, ter esperança significa que não vamos cair numa ansiedade arrasadora, atitude derrotista ou depressão diante de desafios ou reveses difíceis. Na verdade, as pessoas esperançosas mostram menos depressão que as outras ao manobrarem na vida em busca de suas metas, são menos ansiosas em eral, e têm menos distúrbios emocionais.
 

Extraído do livro Inteligência Emocional, de Daniel Goleman

 

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