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OS VERSÍCULOS SUBLIMES O Cristão Místico obtém uma compreensão mais profunda quando abre sua Bíblia e edita sobre os cinco primeiros versículos da mais preciosa gema do saber espiritual: o Evangelho de São João. À medida que reverentemente abre seu coração aspirante em busca de compreensão de tão sublimes ensinamentos místicos, ele transcende o lado formal da natureza que inclui os diferentes reinos dos quais já falamos, e se encontra a si mesmo "no espírito" tal como o faziam os Profetas dos tempos antigos: Encontra-se então na Região do Pensamento Abstrato e vê as verdades eternas que São Paulo também alcançou na mesma Região, o Terceiro Céu. Porém, para aqueles de nós que são incapazes de obter conhecimentos a não ser pelo raciocínio sobre o assunto, será necessário examinar o significado fundamental de palavras utilizadas por São João para revestir seu maravilhoso ensinamento. Este, originalmente, foi escrito em grego, sob forma muito mais simples do que geralmente se supõe, porque as palavras gregas foram introduzidas livremente nas nossas línguas modernas, especialmente em termos científicos, e agora procuraremos demonstrar como este antigo ensinamento é corroborado pelas últimas descobertas da ciência moderna. O versículo inicial do Evangelho de São João diz: "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus." Examinaremos as palavras "Princípio", "Verbo" e "Deus". Veremos também que, na versão grega, a sentença final diz: "e Deus era o Verbo" e esta diferença é muito importante. É uma verdade axiomática que, "do nada, nada vem" e, freqüentemente, entre os que gostam de zombar afirmam que a Bíblia ensina a geração "do nada". Concordamos que as traduções para línguas modernas espalharam essa doutrina errônea, mas mostramos no Conceito Rosacruz do Cosmos (Capitulo "Analise Oculta do Gênesis"), que o texto hebraico fala de uma essência sempre existente como base de onde todas as formas, incluindo a Terra e os luminares celestes, oram criadas inicialmente, e São João nos dá o mesmo ensinamento. A palavra grega arche da sentença inicial do Evangelho de São João foi traduzida como o princípio e, embora tenha também esse significado, possui outras interpretações igualmente válidas, muito mais significativas da idéia que São João quis transmitir. Significa: uma condição elementar, uma origem principal, um princípio original, uma matéria primordial. Houve um tempo em que a ciência insistiu em afirmar que os elementos imutáveis, isto é, que um átomo de ferro sempre foi um átomo de ferro desde que a Terra se formou, e que permaneceria assim até o fim dos tempos. Os alquimistas foram escarnecidos como sonhadores fantasistas ou loucos, mas desde que o Prof. J. J. Thompson descobriu o elétron, a teoria atômica da matéria não é sustentável por mais tempo. Mais tarde, o princípio da radioatividade justificou os alquimistas. A ciência e a Bíblia concordam que tudo o que existe foi formado da mesma substância homogênea. Esta substância homogênea é o princípio básico que São João chamou arche, a matéria primordial, e o dicionário define a Arqueologia como: "A ciência da origem (arche) das coisas." Os Maçons intitulam Deus: o "Grande Arquiteto", pois a palavra grega tekton significa construtor, e Deus é o Supremo Construtor, ou seja (tekton da arche), a matéria primordial virginal, que é também a origem principal de todas as coisas. Quando se traduz corretamente a sentença inicial do Evangelho de São João, nossa religião cristã ensina que no princípio, a substância virginal envolveu o Divino Pensador: Deus. Essa foi a condição idêntica que os gregos antigos deram o nome de Caos. Um pouco de reflexão tornará evidente que não agimos arbitrariamente ao assinalar as faltas que se cometeram na tradução do Evangelho, porque é evidente que uma palavra não pode ser o princípio, posto que um pensamento há de preceder a palavra e um pensador deve emitir o pensamento antes de poder expressá-lo como palavra. Quando se traduz corretamente o ensinamento de São João, essa idéia fica bem clara, pois o termo grego logos significa ambas as coisas, tanto o pensamento racional e lógico quanto a palavra que serve para expressá-lo. 1) Na substância primordial estava o pensamento, e o pensamento estava com Deus. E Deus era o verbo. 2) ESTE [O Verbo] estava também com Deus, no estado primordial. Depois o divino VERBO, o Fiat Criador, ressoa através do espaço e segrega a substância virginal homogênea em formas separadas. 3) Todas as coisas vieram à existência como conseqüência do fator primordial [o Verbo de Deus], e nada existe fora daquele fator. 4) Nisto estava a Vida. No alfabeto temos uns poucos sons elementares, por meio dos quais as palavras podem ser formadas. São os elementos básicos da expressão, assim como os tijolos, o ferro e o madeiramento são materiais elementares da arquitetura, ou como algumas notas são partes componentes da música. Mas, um monte de tijolos, de ferro ou de madeira não formam uma casa, tampouco um acúmulo confuso de notas é música, igualmente não podemos chamar de palavra uma disposição de letras do alfabeto feita ao acaso. Essas matérias-primas são necessidades principais na arquitetura, na música, na literatura e na poesia, mas a forma do produto acabado e o propósito para o qual servirá dependem da disposição desses materiais primordiais, que estão sujeitos ao projeto do construtor. Os materiais de construção tanto podem servir para uma prisão como para um palácio; as notas musicais podem ser dispostas para uma marcha militar ou para uma marcha fúnebre; as palavras podem ser ditadas para inspirar paixões ou paz, tudo isso de acordo com a vontade do seu idealizador. Assim também o majestoso ritmo da Palavra de Deus elaborou a substância primordial, arche, na multidão de formas que compõem o mundo dos fenômenos, de acordo com a Sua Vontade. O leitor alguma vez já considerou a maravilhosa força da palavra humana? Vindo de nós nas doces expressões de amor pode nos levar desde os caminhos da retidão aos de uma vergonhosa ignomínia e arruinar nossa vida com a dor e o remorso, ou pode nos impelir para os mais nobres esforços, para conquistar glória e honra agora ou mais tarde. De acordo com a inflexão da voz, uma palavra pode infundir o terror no coração mais bravo, ou embalar um menino tímido num sono sereno. As palavras de um agitador podem despertar as paixões de uma turba e impeli-la a um temível derramamento de sangue, como o da Revolução Francesa, na qual as ordens ditatoriais de uma regência popular mataram e desterraram à vontade, ou os acordes de um "Lar, doce Lar" pode cimentar o círculo familiar e afastar a possibilidade de rompimento. As palavras justas são verdadeiras e, portanto, livres; elas nunca ficam retidas ou presas pelo tempo ou pelo espaço; podem ir até os rincões mais afastados da Terra e, quando os lábios que as emitiram pela primeira vez tenham se desfeito no túmulo, outras vozes podem fazer ressurgir, com infatigável entusiasmo, sua mensagem de vida e de amor, como por exemplo o místico "Come unto me" (Vem a mim), que foi cantado em inúmeras línguas e trouxe um oceano de bálsamo aos corações atribulados. Palavras de paz conseguiram evitar guerras desastrosas e nenhum talento é mais desejável do que habilidade de dizer sempre a palavra justa no momento oportuno. Considerando, pois, a força e a potência imensa da palavra humana, poderemos talvez compreender, ainda que vagamente, a potente magnitude da palavra de Deus, o Fiat Criador, quando, como uma poderosa força dinâmica, ressoou inicialmente pelo espaço e começou a transformar matéria primordial em mundos, tal como a vibração do arco do violino modela a areia em figuras geométricas. Além disso, a Palavra de Deus continua a ressoar, para sustentar os globos em marcha e impeli-los no seu caminho circular; a Palavra Criadora continua a produzir formas de gradual e crescente eficiência como meio de expressão da vida e da consciência. A enunciação harmoniosa das sílabas consecutivas da Divina Palavra Criadora marca estágios sucessivos na evolução do mundo e do homem. Uma vez emitida a última sílaba, uma vez soada a palavra completa, teremos alcançado a perfeição como seres humanos. Então não haverá mais tempo e, com a última vibração da Palavra de Deus, os mundos dissolver-se-ão em seus elementos originais. Nossa vida estará então "oculta com Cristo em Deus", até que a Noite Cósmica, o Caos, tenha passado e despertaremos então, para fazer "coisas maiores", num "novo céu e numa nova terra". De acordo com a idéia geral, o Caos e o Cosmos são antíteses superlativas um do outro, sendo o Caos considerado como um estado passado de confusão e de desordem que, desde os tempos imemoriais, foi suplantado pela ordem cósmica que agora prevalece. Na realidade, o Caos é a sementeira do Cosmos, a base de todo o progresso, pois dali vêm todas as IDÉIAS que depois se materializam em estradas de ferro, navios, telefones, etc. Falamos dos pensamentos como sendo "concebidos pela mente" mas, da mesma forma como são necessários um pai e uma mãe para a geração de uma criança, também deve haver ambas, a idéia e a mente, antes que possa ser concebido um pensamento. Assim como o sêmen germinado no órgão positivo e masculino é projetado no útero negativo na concepção, assim também as idéias são geradas por um Ego Humano positivo na substância espiritual da Região do Pensamento Abstrato.Esta idéia é projetada sobre a mente receptora e ocorre uma concepção. Então, assim como o núcleo do espermatozóide toma do corpo materno o material necessário para formar um corpo apropriado à sua expressão individual, assim cada idéia se reveste de uma forma peculiar de matéria mental e torna-se, então, um pensamento tão visível para a visão interna do homem como uma criança para seus pais. Deste modo, vemos que as idéias são pensamentos embrionários, núcleos de substância do espírito, procedentes da Região do Pensamento Abstrato. Concebidas impropriamente por uma mente enferma, convertem-se em fantasias e desilusões; mas, quando são concebidas por uma mente sã e se tornam pensamentos racionais, servem de base a todo o progresso material, moral e mental. Quanto mais estreito for o nosso contacto com o Caos, tanto melhor será o nosso Cosmos, porque nesse reino de realidades abstratas a verdade não está obscurecida pela matéria; ela é evidente por si mesma. MAX HEINDEL |