INDO AO ENCALÇO DOS NOSSOS SONHOS
O universo realmente parece
funcionar como uma plataforma para a realização das nossas aspirações mais
profundas e intensas. É um sistema dinâmico, impulsionado por nada menos que o
fluxo constante de pequenos milagres. Mas há uma condição: o universo é
planejado para responder à nossa consciência, mas ele nos dará de volta apenas o
nível de qualidade que nós apresentarmos. Assim, o processo de descobrir quem
somos e o que temos a fazer aqui, e aprender a acompanhar as misteriosas
coincidências que podem nos guiar, depende, em grande parte, da nossa capacidade
de permanecermos positivos e de encontrarmos o lado bom de todos os
acontecimentos.
Viver a nova consciência espiritual é uma questão de passar por uma série de
passos ou revelações. Cada passo amplia a nossa perspectiva, mas cada passo
apresenta também seus próprios desafios. Não basta simplesmente enxergarmos cada
nível de consciência expandida; precisamos ter a intenção de vivê-lo, de
integrar à nossa rotina cotidiana cada parte dessa consciência. Uma única
interpretação negativa basta para interromper tudo.
Nas páginas seguintes, vamos examinar esses passos, não apenas em termos de
experiência interior, mas também com a perspectiva de mantê-los firmes em nossas
vidas e colocá-los em prática de maneira eficaz.
A qualquer momento podem acontecer coincidências significativas. Podemos estar
mergulhados no nosso dia-a-dia quando, aparentemente sem aviso, um acontecimento
casual nos chama a atenção. Podemos nos lembrar de um velho amigo em quem há
anos não pensávamos e no dia seguinte, já tendo esquecido totalmente essa
lembrança, esbarrarmos com ele; do mesmo modo, podemos conhecer no trabalho uma
pessoa que gostaríamos de ver novamente, e na hora do almoço a encontrarmos na
mesa ao lado no restaurante.
As coincidências podem se dar através da chegada oportuna de alguma informação
que desejamos, mas que não temos a menor idéia de onde conseguir, ou a percepção
súbita de que a nossa experiência com algum passatempo ou interesse antigo era
na realidade uma preparação para conseguirmos um trabalho ou uma oportunidade.
Não importam os detalhes da coincidência, sentimos que ela é improvável demais
para ser resultado da sorte ou de um mero acaso. Quando uma coincidência nos
chama a atenção, nós nos sentimos, mesmo que por um instante, impressionados
pelo que aconteceu; de alguma forma sentimos que esses acontecimentos estavam
fadados a ocorrer, estavam destinados a acontecer exatamente quando aconteceram,
para mudar a nossa vida, dando-lhe uma direção nova e mais inspiradora.
Abraham Lincoln descreveu por escrito uma coincidência desse tipo, que aconteceu
na sua juventude. Na época, Lincoln sentia que tinha algo mais a fazer na vida
do que ser fazendeiro ou artesão, como os outros moradores da sua comunidade no
Illinois. Um dia, ele encontrou um vendedor ambulante que, visivelmente, passava
por momentos difíceis e que lhe pediu que comprasse por um dólar um velho barril
cheio de mercadorias, na maior parte sem valor. Lincoln poderia muito bem ter
rechaçado o vendedor falido, mas em vez disso deu-lhe o dinheiro e guardou as
mercadorias. Só mais tarde, ao limpar o barril, foi que Lincoln encontrou, em
meio a latas e ferramentas velhas, uma coleção completa de livros jurídicos, nos
quais estudou para se tornar advogado e seguir seu notável destino. 1
O psicólogo suíço Carl Jung foi o primeiro pensador moderno a definir esse
misterioso fenômeno. Ele o chamou de "sincronicidade" — a percepção da
coincidência significante. Jung afirmava que a sincronicidade era um princípio
sem causa no universo, uma lei que funcionava para mover os seres humanos na
direção de um crescimento maior da sua consciência.
Jung testemunhou um ótimo exemplo de sincronicidade durante uma de suas sessões
de terapia. Sua paciente era uma senhora exageradamente decorosa que estava
tendo problemas com seu comportamento obsessivo. Jung estava investigando os
sonhos dela, tentando ajudá-la a entrar em contato com o lado leve, brincalhão e
intuitivo da sua própria natureza. Os sonhos mais recentes envolviam um
escaravelho, mas ela resistia totalmente a qualquer tentativa de interpretação.
Exatamente nesse instante Jung ouviu um barulho na janela e, ao abrir as
cortinas, avistou, no lado de fora da mesma, um escaravelho, inseto muito raro
naquela região. Segundo Jung, o episódio impressionou tanto a paciente, que ela
começou a fazer grandes progressos no tratamento.3
Poucos de nós conseguem olhar para o passado sem distinguir um padrão de
sincronicidade nos acontecimentos misteriosos que concorreram para nos trazer à
nossa carreira atual, ao nosso cônjuge atual, ou à rede de amizades e alianças
nas quais confiamos; muito mais difícil, porém, é a percepção desses
acontecimentos no presente, na ocasião em que eles acontecem. Já vimos que as
coincidências podem ser impressionantes, mas também podem ser muito sutis e
fugazes, e assim facilmente descartadas como mera casualidade — como mandava a
antiga visão materialista.
O nosso desafio pessoal é vencer o condicionamento cultural que nos leva a
reduzir nossa vida ao corriqueiro, ao prosaico, ao não-misterioso. Com algumas
exceções, aprendemos a levar a vida apenas com o ego, acordando pela manhã com a
sensação de que precisamos colocar nosso dia sob controle total: fazemos
implacáveis listas mentais de projetos que tencionamos levar a cabo, e
perseguimos esses projetos com uma espécie de antolhos que limitam a nossa
visão; no entanto, o mistério está sempre ali, dançando na fimbria de nossa
vida, dando-nos fugazes relances de suas possibilidades. Precisamos refrear
nosso ritmo e mudar nosso enfoque, e começar a aproveitar as oportunidades que
surgem em nosso caminho.
Texto extraído do livro: A visão celestina: vivendo a nova consciência espiritual, de James Redfield. Conheça os livros desse maravilhoso escritor, clique aqui.
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