A Verdadeira Salvação

"Porque este filho estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi encontrado." Lucas 15:24

—Acho que meu radar está quebrado - declarou Sarah na nossa primeira sessão.

—Radar? - perguntei.

—Isso mesmo, é como eu chamo o mecanismo que me faz escolher os homens. Você pode dar um jeito nisso? - perguntou ela. Sarah queria se entender, o que me deixou contente, pois esta atitude favorece os resultados da terapia. Mas não era positivo ela achar que tinha algum tipo de defeito. Descobri que o fato de uma pessoa estar convicta de que tem um defeito é mais pernicioso do que a deficiência que possa vir a ser descoberta. À medida que a nossa terapia progredia, fiquei sabendo que os pais de Sarah tinham se divorciado quando ela estava na escola primária, e que a sua mãe precisou arranjar um emprego para poder sustentar as filhas. Sarah buscara nos colegas de escola a atenção de que necessitava, pois seus pais não estavam mais disponíveis para isso.

Quando Sarah chegou ao segundo grau, o seu relacionamento com os meninos havia se tornado predominantemente sexual, e este era o preço que ela pagava para ter a sensação de estar próxima de alguém. Sarah passou a acreditar que a única maneira de obter o que queria era dar em troca o que os outros queriam. Esse tipo de amor condicional fez com que Sarah sentisse que era capaz de conseguir atenção pelo que fazia, mas não saber se poderia obter amor por ser quem era. Percebi que durante um certo tempo Sarah imaginou que iríamos ter um relacionamento sexual. Depois, ela passou a achar que eu só a estava atendendo por causa do dinheiro que ela me pagava, mas que secretamente eu a considerava repulsiva devido às suas atividades sexuais do passado. No entanto, depois de passar muitas horas descrevendo coisas horríveis sobre si mesma e revelando me os aspectos mais negativos e inaceitáveis da sua vida, Sarah começou a achar que talvez fosse possível que uma outra pessoa, mais especificamente um homem, se interessasse por ela por outra razão além do que pudesse obter em troca. Sarah estava redescobrindo o seu verdadeiro eu, a parte dela que desejava ter um relacionamento com outra pessoa pelo que era e não pelo que fazia.

As coisas que Sarah tinha feito para conseguir amor não eram prova de um defeito de personalidade; eram tentativas de encontrar o amor perdido. Sarah não compreendia como sua história explicava seu modo de ser. A sua promiscuidade sexual era apenas um resultado lamentável de uma necessidade insatisfeita. Quando Sarah descobriu a menina que continuava intacta dentro dela, ansiando pelo amor do pai, sua vida começou a fazer mais sentido. Ela não era defeituosa; apenas não se sentia amada. Aos poucos Sarah foi entrando em contato com quem verdadeiramente era.

Sarah não precisa continuar a agir com se houvesse algo errado com ela. O problema não era com ela e sim com o que ela precisara e não recebera. Sarah está começando a acreditar que tem algo valioso a oferecer. Não é de causar surpresa que ela também esteja atraindo um tipo de homem diferente.

Jesus ensinou que o pecado acontece quando quebramos o relacionamento e que a salvação ocorre quando o restabelecemos. Na parábola do filho pródigo, Jesus mostrava que a salvação envolve o reencontro com o nosso verdadeiro eu. A psicoterapia funciona porque segue o padrão que Jesus descreve para o processo da salvação. Os bons relacionamentos nos curam. Não podemos ser psicologicamente saudáveis se não nos relacionarmos de um modo saudável com nós mesmos e com os outros. Os seres humanos foram criados desta maneira, ou seja, precisamos estar ligados aos outros para sermos completos.

A psicoterapia é o processo de ajudar pessoas que estão perdidas a se reencontrarem. Ao estabelecer relacionamentos saudáveis com os outros, podemos reconduzi-los ao caminho da saúde psicológica.

PRINCÍPIO ESPIRITUAL:

Uma alma perdida é encontrada e não consertada.

 

Texto extraído do maravilhoso livro: Jesus, o maior psicólogo que já existiu, de Mark Baker

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Jesus, o maior psicólogo que já existiu faz uma abordagem original da relação entre ciência e religião, ligando os principais ensinamentos de Jesus às descobertas recentes da psicologia.
Com base em sua experiência como terapeuta e no seu profundo conhecimento da Bíblia, Mark Baker demonstra por que a mensagem de Cristo é perfeitamente compatível com os princípios da psicologia: ela contém a chave da saúde emocional, do bem-estar e do crescimento pessoal.
Em uma linguagem simples e cativante, ele mostra que, seja qual for a nossa crença religiosa ou filosofia de vida, todos podemos nos beneficiar da sabedoria daquele que, como diz o autor, foi o maior psicólogo de todos os tempos.
Organizado em dezenas de lições concisas, este livro é uma coleção de valiosos exemplos práticos sobre como essa sabedoria comprovada pelo tempo pode nos ajudar a resolver os problemas do cotidiano, a repensar atitudes e a praticar o perdão, a solidariedade e a lealdade, valorizando nossas vidas e nossos relacionamentos com mais amizade e amor.

 

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