Amor e Humildade
Passei uma noite no camarim de Howard Thurston na última vez que ele apareceu na Broadway - Thurston, o conhecido rei dos mágicos, Thurston, o rei da agilidade. Durante quarenta anos ele viajou por todo o mundo sempre no mesmo mister, criando ilusões, mistificando assistências, fazendo o povo suspirar espantado. Mais de sessenta milhões de pessoas compraram entradas para as suas demonstrações e ele teve quase dois milhões de dólares de lucro. Pedi ao Sr. Thurston me dissesse o segredo de seus sucessos. Sua vida escolar, por certo, nada lhe ensejou pois ele deixou a
casa paterna ainda pequeno, tornou-se um malandro, viajou em vagões de carga, dormiu em pilhas de feno, esmolou comida de porta em porta e aprendeu a ler olhando dos vagões de carga os letreiros ao longo da estrada de ferro.
Teria ele algum conhecimento superior de magia? Não. Declarou-me que centenas de livros têm sido escritos sobre passes mágicos e grande número de pessoas sabia tanto acerca disto como ele. Mas possuía duas coisas que os outros não tinham. Primeiro - tinha habilidade de colocar sua personalidade diante dos refletores. Era um mestre no exibicionismo. Conhecia a natureza humana. Tudo o que fazia, cada gesto, cada entonação de voz, cada levantamento de uma sobrancelha, era cuidadosamente ensaiado com antecedência e seus gestos eram marcados para serem feitos em segundos. Mas, além de tudo isso, Thurston tinha um verdadeiro interesse no povo.
Declarou-me que muitos mágicos olham para a assistência e dizem para si mesmos: "Bem, aqui está um grupo de tolos endinheirados e vou enganá-los". O método de Thurston, porém, era totalmente diferente. Contou-me que cada vez que entrava em cena dizia para si mesmo: "Estou muito grato porque esta gente veio ver-me. A sua presença faz com que minha vida corra de um modo agradável. Vou dar-lhe, pois, o melhor que me for possível". Declarou que nunca se pôs diante de um refletor sem primeiro dizer a si mesmo várias vezes: "Amo meu público!
Amo meu público!" Ridículo? Absurdo? Você tem o direito de pensar o que quiser sobre isto. Apenas estou reproduzindo, sem comentários, o método usado por um dos mais famosos mágicos de todos os tempos.
George Dyke, de North Warren, Pensilvânia, precisou abandonar o seu posto de abastecimento reparos, depois de trinta anos de trabalho, uma vez que se construiu uma estrada de ferro exatamente onde se localizava seu negócio. Em breve os dias ociosos de aposentadoria começaram a enfastiá-lo, e tratou logo de preencher o tempo tocando seu velho violino.
Não tardou para começar a percorrer a região ouvindo música e conversando com excelentes violinistas. A sua maneira, humilde e amistosa, sentiu despertar dentro dele o interesse de conhecer a experiência de cada músico que conhecia. Embora ele mesmo não fosse um bom violinista, fez muitas amizades. Participava de festivais e logo se tornou conhecido pelos fãs de música "country" que habitavam a região leste dos Estados Unidos com o nome de "Tio George, o arranhador de cordas de violino do condado de Kinzua". Quando tivemos a oportunidade de ouvir Tio George, ele estava com 72 anos e desfrutando cada minuto de sua vida. O fato de interessar-se por outras pessoas acabou por criar-lhe uma vida diferente, numa idade em que a maioria das pessoas julga esgotada sua capacidade produtiva.
Texto extraído do livro: Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas, de Dale Carnegie