A INTUIÇÃO
O que acontece depois que
identificamos uma pergunta vital? Como foi que você discerniu que deveria ir
àquela conferência? O que foi que aconteceu? Estudando de perto, acredito que
estamos reconhecendo e começando a usar integralmente uma antiga capacidade
humana: a nossa intuição.
Ao longo da História, os seres humanos sempre falaram da experiência dos
"palpites" e pressentimentos que muitas vezes orientaram as decisões que tivemos
que tomar em nossa vida. Acontece que a visão mecanicista do mundo descartava
essas experiências considerando-as ilusão ou alucinação, ou então reduzia-as a
meras deixas1 sociais. Mesmo diante dessa desaprovação cultural, a maioria de
nós continuou a usar esses pressentimentos semiconscientemente; apenas não
falávamos muito sobre eles. Só em décadas recentes, o poder da intuição voltou a
ser mencionado e usado abertamente no Ocidente.
Acredito que o desafio agora seja trazer à tona esses sentimentos sutis e
aprender a distingui-los dos pensamentos normais. Como isso depende de percepção
interior, cada um de nós tem que chegar lá por si só. Mas para muitos o padrão
geral do modo como a intuição funciona já pode estar atingindo um consenso.
A intuição é uma imagem de um acontecimento futuro, uma precognição que se tem
demonstrado cientificamente ser uma capa-cidade humana.2 Ela pode estar
relacionada a nós ou a outras pessoas. Quase sempre essa imagem é de natureza
positiva, de crescimento. Se, por outro lado, esses pensamentos forem negativos
— de um acidente iminente ou um lugar que deve ser evitado, por exemplo — então
temos que decidir se estamos apenas tendo pensamentos de medo que nos vêm de um
drama de controle repetido ou se a imagem negativa é um verdadeiro aviso
intuitivo.
Também neste caso fazer essa distinção é algo que cada um de nós deve conseguir
sozinho, mas acho que podemos perceber que as imagens de medo geralmente estão
ligadas a temores generalizados, e não a acontecimentos específicos. No caso do
nosso exemplo, poderíamos saber que sempre tivemos medo de ir a uma conferência
se, diga-mos, tivéssemos que ir sozinhos. Esse tipo de medo que sempre recorre
pode ser reconhecido como um temor generalizado. Mas se espontaneamente sentimos
medo em relação a uma determinada conferência sem jamais termos tido tal medo
antes, então essa imagem pode ser um verdadeiro aviso intuitivo, e devemos agir
segundo essa crença.
Devemos também diferenciar uma intuição de um devaneio disfuncional. E quando
imaginamos um replay de uma conversa anterior, desejando que tivéssemos dado a
resposta merecida a uma pessoa que nos enfureceu ou nos perturbou, estamos
simplesmente fantasiando um drama de controle. Esse tipo de imagem só é útil se
a mensagem tiver o sentido de abandonar esse tipo de competição.3 A maioria das
intuições verdadeiras envolve a imagem de alguma ação futura de nossa parte, que
daria à nossa vida uma nova e vantajosa direção, e elas sempre trazem em torno
de si uma carga de inspiração.
Texto extraído do livro: A visão celestina: vivendo a nova consciência espiritual, de James Redfield. Conheça os livros desse maravilhoso escritor, clique aqui.
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